Seu delegado, prenda os que desprezam nossa cultura

Carlos Braz, 20 de Maio, 2018

Seu delegado, prenda os que desprezam nossa cultura

Por Carlos Braz

 

Aproxima-se o São João, e com ele mais um capítulo da vergonhosa novela encenada todos os anos, pelos gestores municipais e orgãos midiáticos do Estado de  Sergipe, fregueses contumazes da indústria cultural, que nos impõe o que bem entende, desde que proporcione lucros significativos.

Refiro-me ao gradual desprezo para com uma das mais genuínas tradição da gente nordestina, o legítimo forró pé de serra, embalado pela santíssima trindade formada por triangulo, zabumba e sanfona.

Os protestos mais veementes proferidos por agentes culturais e artistas desapegados de conchavos com empresários, não encontram eco nos gabinetes fechados de onde emanam as decisões sobre o formato dos eventos que arrastam milhares de pessoas, e onde bandas executam  tudo, menos o ritmo contagiante, que através de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião tornou-se conhecido e admirado em todo Brasil.

A aquisição e perpetuação da cultura é um processo social transmitido geração à geração. É a cultura que nos faz diferentes uns dos outros, mesmo falando o mesmo idioma e habitando o mesmo território. Despreza-la é perder nossa identidade, renegarmos nossas raízes, nos tornarmos desconhecidos, invisíveis e até motivos de chacota.

Merece uma reflexão o fato dos baianos afirmarem que somos o seu quintal, bem como muitos brasileiros mal sabem onde está localizado o estado de Sergipe, e nós mesmos não conhecermos as esculturas instaladas no Largo da gente sergipana.

E assim caminha a sergipanidade: o mote "Sergipe é o país do forró", tão bem elaborado pelo saudoso Rogério fica cada vez mais irreal, ante o que as autoridades em cultura popular nos tem oferecido.

Abaixo o perfil de Clemilda, a Rainha do forró, aquela que mesmo não sendo sergipana de nascimento, empunhou além fronteiras a bandeira da tradição do forró verdadeiro , tão desprestigiado nos dias atuais, mas que resiste como traço inequívoco da nação nordestina.

O TEXTO ABAIXO FOI EXTRAÍDO NA ÍNTEGRA DO SITE DO GOVERNO DO ESTADO DE SERGIPE.

"Perfil: Clemilda, a rainha do forró Nascida em Palmeira dos Índios, Zona da Mata alagoana, a forrozeira Clemilda Ferreira da Silva foi para o Rio de Janeiro ainda adolescente. Na cidade maravilhosa, Clemilda trabalhou como garçonete, até que em 1965, cantou pela primeira vez na Rádio Mayrink Veiga, no programa 'Crepúsculo Sertanejo'. Na mesma ocasião, conheceu o também alagoano Gerson Filho, com quem casou-se. Gerson Filho era sanfoneiro e popularizou o fole de oito baixos. Clemilda fez participações nos LP’s do esposo e em 1967 ela gravou seu primeiro LP. Gerson Filho sempre a acompanhou em suas apresentações, e foi após 1994, com a morte do companheiro, que a forrozeira afastou-se dos palcos. Paixão por Aracaju Com pouco mais de 40 anos de estrada, a artista vive há mais de 20 anos em Aracaju, cidade pela qual é apaixonada. Ao longo desses anos, Clemilda ganhou dois discos de ouro, o primeiro, em 1985, quando estourou nas paradas de sucesso com a música "Prenda o Tadeu", participando de vários programas de rádio e TV, entre eles, o "Clube do Bolinha", na rede Bandeirantes, e "Cassino do Chacrinha", na rede Globo. O segundo, ganhou em 1987, com o disco "Forró Cheiroso", mais conhecido como "Talco no Salão". A composição de seus trabalhos caracteriza-se principalmente pela ambigüidade das letras, tidas como maliciosas. Além disso, atualmente Clemilda vem se dedicando à apresentação do programa "Forró no Asfalto", que divulga artistas locais e cultiva a tradição nordestina, na TV Aperipê de Aracaju. Porém, a vida de Clemilda nem sempre foi feita de glória. Além das dificuldades enfrentadas no Rio de janeiro, a artista passou por dois derrames cerebrais. Mas apesar de suas limitações pela idade, ela voltou a apresentar-se nos palcos e ainda continua com energia para fazer os shows, agora acompanhada do filho, Robertinho dos Oito Baixos, fruto de seu relacionamento com Gerson Filho. Clemilda se apresenta somente duas vezes por ano, no Forró caju - festa junina que acontece na área dos mercados históricos de Aracaju, e no Arraiá do povo - festa junina que acontece na Orla de Aracaju, sempre cantando músicas de Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, dentre outros, além, claro, de suas composições. Nesse ano, a artista recebeu duas homenagens marcantes: um programa especial feito pela TV Aperipê chamado "Todos cantam Clemilda", que foi ao ar no dia 23 de junho e teve participação de artistas como Genival. Cada convidado cantou composições da artista. Clemilda também foi homenageada pelo Governo de Sergipe com o seu nome intitulando o palco principal do Arraiá do Povo".

 

O que você está buscando?