Pela fé ou pela espada: uma breve história do cristianismo

Carlos Braz, 08 de Dezembro, 2018 - Atualizado em 11 de Dezembro, 2018

 


 

 

Pela fé ou pela espada: uma breve história do cristianismo

Por Carlos Braz

 

Enfim chegamos ao último mês do ano, o dezembro tão aguardado pela comunidade cristã em todo o mundo, que celebra no dia 25 o nascimento de Jesus Cristo em uma humilde manjedoura nos frios arredores da cidade de Belém, à época sob domínio do Império Romano, há 2018 anos atrás.
A simbologia desse momento único na história da humanidade, o rei dos reis cercado por animais e seus pastores, transcende os séculos como um exemplo de extrema humidade. Considerado pelos hebreus como o filho de Deus vivo prometido nas profecias, o acontecido, pelo seu caráter extraordinário, passa a dividir o tempo histórico em dois períodos: antes e depois de Cristo, embrião de uma nova doutrina baseada no amor ao próximo e na fé.
Após a crucificação e ressurreição, os apóstolos e discípulos do nazareno continuaram a propagar seus ensinamentos, sob perseguição violenta e inclemente da parte dos romanos. Entre os mais eficientes dos algozes, destacoua-se a figura de Paulo de Tarso, judeu com cidadania romana, nascido dez anos após a morte de Jesus
Mesmo na clandestinidade a nova religião floresceu principalmente no âmbito dos menos favorecidos, que denominados cristãos, difundiram-se por todas as regiões adjacentes, pregando em prol daquilo que acreditavam.
Com o imperador Constantino (306-370) foi garantida a liberdade de culto aos cristãos, que disseminaram seus valores para além do mundo romano. O cristianismo foi finalmente consagrado como religião oficial do império em 391 durante o governo do imperador Teodósio.
O mesmo Paulo de Tarso, convertido, peregrinou por diversos lugares da Ásia e da África levando a boa nova para aquelas regiões, incentivando a formação de pequenas comunidades onde todos eram considerados irmãos e o evangelho pregado sistematicamente, transformando os indivíduos apossados por uma fé inabalável.
Uma nova sociedade se formava, onde todos se consideravam irmãos, e tinham o mesmo ideal: dar água aos que tinham sede e pão aos que tinham fome. O Pai-nosso, oração mestra do cristão, é a síntese perfeita da simbiose entre Deus, seu filho Jesus Cristo, e os homens.
O declínio do mundo romano ocasionou a divisão do império em duas partes, o império do ocidente, com sede em Roma, onde o catolicismo cresceu dentro de sua formatação original e do oriente, sediado em Constantinopla, que também adotou o cristianismo como religião oficial, contudo, influenciado por valores culturais oriundos de outras civilizações, afastou-se em determinados aspectos da tradição ocidental.
Marco de início da Idade Média para alguns historiadores, a cisão não impediu que a igreja cristã progredisse, estabelecendo ao longo dos anos uma rígida hierarquia que permanece até a contemporaneidade, comandada por um corpo eclesiástico, responsáveis pela liturgia, sob o comando do Papa, assessorado por bispos, cardeais e outras categorias inferiores responsáveis pela afirmação da doutrina no seio da comunidade, em um processo que assegurou a união do rebanho de fiéis.
Mas história do cristianismo não é somente fé e devoção. O arbítrio também se fez presente, bem como as relações de poder envolvendo a nobreza e os vassalos, fomentando um jogo de interesses políticos e patrimoniais, que mantiveram um clima litigioso permanente entre as partes. Indubitavelmente, a igreja cristã foi a grande força espiritual predominante durante o medievo, impondo regras e códigos sociais, um laço indissolúvel com homem daqueles tempos.
A construção de templos magníficos recobertos com metais preciosos são testemunhos materiais do poderio financeiro e espiritual do clero, que paradoxalmente, incentivava as pessoas a assumir uma atitude de humildade e devoção à Deus.
No decorrer dos séculos, aspectos políticos e religiosos levaram à necessidade da conversão dos povos pagãos pela fé ou pela espada. Surgem as cruzadas, guerras santas para converter os mulçumanos infiéis, e se apossar de suas terras. Foram convocadas pelo Papa Urbano II, em 1095, no Concílio de Clermont.
Em um tempo em que a fé e a religião dominavam completamente a Europa a convocação para a luta contra os inimigos arrebanhou imediatamente milhares de voluntários. A violência do derramamento de sangue foi usada para a conversão. As cruzadas, onde milhares morreram com a esperança da aceitação no reino do céu, ao lado das heresias, que levou à fogueira outros tantos que ousaram ir de encontro as normas vigentes, e ainda a inquisição e jogo político em torno do poder papal, constituem elementos que distanciou a igreja, como instituição, dos preceitos ensinados por Jesus Cristo, de paz na terra aos homens de boa vontade.
Com o surgimento das ideias iluministas e do renascimento cultural e comercial em meados do século XV as contestações ao modus operandi da igreja católica vieram à tona, dando início ao movimento conhecido como reforma luterana ou protestante.

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