O RAIO X DA MISÉRIA

Carlos Braz, 15 de Janeiro, 2019 - Atualizado em 20 de Janeiro, 2019

O RAIO X DA MISÉRIA

Por Carlos Braz 

A crise financeira deflagrada durante o segundo mandato da presidente petista Dilma Rousseff, trouxe para o brasileiro, principalmente os desafortunados e desprotegidos socialmente, a perspectiva de um ano novo velho, já que vem recheado de problemas recorrentes, herança maldita que agora deve ser administrada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Adepto das  teorias neoliberais no campo da economia, a promessa é aplica-las sem, contudo, perder o foco na questão social.É no seu discurso de campanha que depositamos a esperança de tempos melhores: um Estado enxuto e desestatizado, com finanças nos trilhos, que possa gerar emprego e renda para milhões de cidadãos.

Evidentemente, o nível de complexidade dos nossos problemas econômicos e estruturais não nos permite visualizar a curto prazo soluções mágicas que proporcionem o crescimento desejado, o que implica em mais um ano de dificuldades para a população.

 Os dados apresentados pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística são, deveras, assustadores, contudo são o espelho inequívoco de uma realidade quase palpável.

Entre os anos de 2016 e 2017 aproximadamente dois milhões de pessoas entraram para o grupo que passou a viver com um uma renda aproximada de  R$ 120,00 por mês, e a taxa de mortalidade infantil, que indica o número de crianças que morrem antes de completar 1 ano de vida subiu 5%, o que significa que em um grupo de 1.000 recém-nascidos 14 falecem antes do primeiro ano de vida.

Para nós nordestinos, já acostumados com a inclemência do clima, os números apresentados são ainda mais avassaladores, colocando-nos na liderança do raio X da miséria, Maranhão e Alagoas à frente dos demais estados. No quesito  mortalidade infantil o município de Aquiraz supera o inimaginável: 24,9 bebes morrem ,em um grupo de 1.000, antes do primeiro aniversário, devido principalmente a falta de saneamento básico nas residências e as péssimas condições de higiene.

Aqui é o Brasil, onde um ditado popular diz que o ano só começa depois do carnaval.

Enquanto as casas parlamentares continuam em recesso e o novo governo procura um rumo para implementar as medidas prometidas, milhares de brasileirinhos se transformam em anjos desnutridos, e muitos pratos permaneceram vazios a espera de comida.

A miséria, o desemprego, a moradia de favor na casa de parentes, a falta de uma estrutura sanitária e o sucateamento do sistema hospitalar, aliados a outras emergências que esperem.

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