Hoje é dia de feijoada

Carlos Braz, 23 de Março, 2019 - Atualizado em 23 de Março, 2019

 

HOJE É DIA DE FEIJOADA

 

Por Carlos Braz

 

Um dos grandes mitos da cultura gastronômica brasileira diz respeito à feijoada, considerada por muitos um prato de origem africana que por aqui consolidou-se a partir do regime escravocrata, implantado no Brasil pelo colonizador europeu.

Tradição nas mesas de restaurantes e residências de todo país nos dias de hoje, a guloseima foi fortemente associada às senzalas e considerada comida de negros devido ao uso no seu preparo das partes “imprestáveis” do boi ou do porco, supostamente descartadas pela casa-grande e misturadas ao feijão.

Contudo, no livro História da Alimentação no Brasil o respeitado folclorista brasileiro Câmara Cascudo (1898-1986), afirma que a feijoada tem origem europeia, argumentando que nem negros nem índios tinham o costume de misturar feijão com carnes e legumes. Tal técnica teria surgido no Império Romano, e sofrido modificações de acordo com a cultura alimentar de cada região.

Nesse contexto está incluído o cozido português, tão conhecido nosso, e o cassoulet francês, que se assemelha muito com a nossa feijoada, criado no século XIV, composto por feijão branco, linguiça, salsicha e carne de porco.

A versão tropical incluiu o feijão preto, espécie nativa da América, conferindo ao prato exotismo e sabor diferenciado, sendo com o decorrer do tempo, consumido por todas as camadas da população.

Em uma citação sobre a feijoada, encontrada no Diário de Pernambuco datado de 7 de agosto de 1883 podemos perceber sua presença bem longe das senzalas. O Hotel Theatre de Recife, ambiente tradicional da aristocracia açucareira, anuncia como sua nova atração às quintas feira a “feijoada à brasileira.

Bom apetite.

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