Brasil: de colônia à sede do Império Português

Carlos Braz, 20 de Abril, 2019 - Atualizado em 21 de Abril, 2019

[caption id="attachment_40565" align="aligncenter" width="358"] 22 de abril de 1500. Descobrimento do Brasil[/caption]

 

Brasil: de colônia à sede do reino português

 

Por Carlos Braz

 

A história é uma ciência em constante mutação. E seus obreiros, os historiadores, arqueólogos, sociólogos, geógrafos, entre outros profissionais de disciplinas afins são os responsáveis diretos pelas descobertas de novas fontes históricas que, não raro, põem ao chão todo um pensamento científico acumulado e difundido durante séculos pelas civilizações.

Ao lado desse labor incessante, as novas tecnologias permitiram um avanço inimaginável tempos atrás, no campo das pesquisas documentais e de campo. Outro fator importante nesse contexto foi  a valorização do testemunho oral e material das minorias étnicas, relegadas ao ostracismo por um etnocentrismo cultural secular.

O resultado dessa “revolução” são as constantes releituras de alguns fatos históricos. No Brasil esse fenômeno é real, e muitos eventos da nossa trajetória como nação já são enxergados sob nova ótica, diante das pesquisas que produziram fontes irrefutáveis.

O descobrimento do Brasil em 22 de abril de 1500 e a fuga da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808 são passagens históricas que despertaram versões conflitantes, que foram esclarecidas pela análise minuciosa de documentos oficiais.

Lembramos que amanhã completam-se 519 anos desde que as naus capitaneadas por Pedro Álvares Cabral aqui ancoraram. A data não é feriado nacional, e muitos, inclusive estudantes, se arguidos de supetão, não saberão responder que fato histórico aconteceu nesse dia.

Terras já conhecidas por outros aventureiros traficantes de Pau-Brasil, o invasor ibérico aqui se assentou, apossando-se oficialmente do território, antecipando-se às grandes nações europeias. Os percalços da história proporcionaram que essa decisão fosse essencial no processo de soberania da monarquia lusitana três séculos adiante, mais precisamente em 1808.

A expansão marítima portuguesa é um dos eventos mais marcantes da história europeia no decorrer entre séculos XIV e XV, visto que o império luso era inferior em recursos financeiros e importância na geopolítica de então, dominada pela França e Inglaterra.

Contudo, Portugal destacava-se pelo desenvolvimento de uma série de recursos técnicos no campo da navegação, o que lhe proporcionou as condições necessárias para percorrer todo o litoral ocidental da África, conquistando os povos nativos e estabelecendo importantes postos comerciais.

Ao conseguir contornar o Cabo da Boa Esperança, estabeleceu-se novas rotas e novas conquistas. A exploração das suas colônias além mar permitiu que o poder monárquico lusitano concentrasse recursos para a montagem de exércitos regulares e expedições marítimas, dirigidas por membros da aristocracia em sociedade com a burguesia local, sedentas por lucros.

A política mercantilista aplicada naqueles tempos tinha como base o acúmulo de riquezas minerais ou vegetais e para obtê-las se fazia necessário a conquista de territórios, e sua exploração até a exaustão. Por outro lado, o fervor religioso também se fazia presente nesse contexto, já que os povos conquistados nessas expedições eram vistos como um rebanho de almas a serem resgatadas de seus costumes bárbaros e convertidas ao catolicismo, para honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Dessa forma, a domínio dessa terra denominada inicialmente de Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz e posteriormente Brasil, foi um fato de extrema importância para o futuro do império português, pois fortaleceu-o economicamente. O Brasil tornou-se aos poucos a joia mais importante da Coroa, visto que, possuía valiosas riquezas minerais, ouro e pedras preciosas, e com a cultura da cana de açúcar obteve lucros astronômicos durante séculos, garantidos pelo pacto colonial, que não permitia que a colônia negociasse com outras nações.

No início de século XIX a economia portuguesa tinha uma total dependência econômica em relação ao Brasil, ante o volume de mercadorias  importadas da colônia, que contribuía com sessenta e um por cento da exportações lusas para a Inglaterra, seu principal parceiro comercial.

No campo político o acontecimento histórico de maior relevância na relação entre  a Côrte e sua mais rica colônia foi a mudança da sede do Império Português em 1808, ante a ameaça de invasão pelo exército francês, tendo à frente o até então invencível exército Napoleão Bonaparte. Ao contrário do que muitos pensam essa ação não foi um ato repentino de um rei acuado. Tal perspectiva já era analisada desde muitas décadas anteriores, visto que o território luso era constantemente ameaçado de invasão pelos seus poderosos vizinhos.

Em 29 de novembro de 1807, com a proteção da poderosa marinha inglesa, a comitiva de D. João VI iniciou a travessia do Atlântico rumo aos trópicos. Um acordo secreto entre as duas nações garantia a abertura dos portos brasileiros aos navios mercantes da Inglaterra, bloqueados pelos franceses em outros portos da Europa.

No dia 22 de janeiro de 1808 D. João VI, o único rei de uma nação europeia a colocar os pés no Novo Mundo, aportava em Salvador, transformando para sempre a história do Brasil e de Portugal.

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