PELOS CAMINHOS DA HISTÓRIA: O QUE A ESQUERDA BRASILEIRA NÃO CONTA SÔBRE 64

Carlos Braz, 20 de Maio, 2019

 

PELOS CAMINHOS DA HISTÓRIA: O QUE A ESQUERDA BRASILEIRA NÃO CONTA SÔBRE 64

 

Por Carlos Braz

 

A grande maioria dos livros didáticos ou historiográficos escritos a respeito do golpe militar ocorrido no Brasil em 1964 foram elaborados pela intelectualidade de esquerda, sobreviventes da guerrilha, ou ex-exilados que retornaram ao país após a redemocratização e a concessão de anistia ampla geral e irrestrita para todos envolvidos nessa página infeliz da nossa história.
Muitos deles conseguiram eleger-se para mandatos parlamentares, enquanto outros assumiram cargos importantes nas redações dos grandes jornais e revistas brasileiros, e ao lado de historiadores descompromissados com a verdade iniciaram a construção de um discurso visivelmente incorreto e parcial, que repetido exaustivamente até os dias de hoje, tornou-se quase uma verdade.
Afirmar que pegaram em armas pela manutenção da democracia é uma mentira deslavada, ainda embalada nos dias de hoje por jovens que não conhecem a história e se deixam levar por profissionais do engodo e da manipulação dos fatos.

A existência de fontes fidedignas nos mostram que a preparação das forças de esquerda para o combate armado se iniciou bem antes do fatídico 31 de março, ainda durante o governo democraticamente instalado de João Goulart.
Os arquivos jornalísticos e documentos oficiais comprovam que antes do golpe militar já haviam brasileiros em treinamento em Cuba, bem como cubanos infiltrados no Brasil planejando ataques em diversas capitais. Esses acontecimentos chegaram a ser noticiados pelos órgãos midiáticos da época, contribuindo para a percepção de que a esquerda se preparava para a tomada do poder à força.
Esses fatos históricos foram omitidos propositalmente da história pelos intelectuais formadores de opinião, e transformou-se em mantra, repetido mecanicamente sempre que se entrevista algum esquerdista contemporâneo, ou um remanescente dos anos de chumbo.
Não aceitam de jeito algum que estavam mancomunados com regimes comunistas, Rússia, China e Cuba, bem como que eram tão violentos e autoritários quanto os militares, mesmo ante um significativo número de depoimentos sobre o assunto.
O revisionismo histórico sobre o período possibilitou que alguns personagens que participaram da luta armada optassem publicamente pelo mea culpa, momento em que foram tachados de traidores e tratados com desdém e descrédito pela mídia comprometida com os movimentos ditos populares.
Como exemplo citamos a entrevista de Amado Batista no Programa Marília Gabriela, a fala de Eduardo Jorge, candidato à presidência da república nas eleições de 2014 pelo Partido Verde, o artigo de Fernando Gabeira à Folha de São Paulo disponível no you Tube, e o depoimento de Vera Silvia Magalhães, guerrilheira do MR-8 conhecida como “ loira 90” e mulher de Gabeira.
Assim cai por terra a tese de que a esquerda revolucionária lutava pela democracia e que a guerrilha surgiu em reação ao golpe militar.  O objetivo era a imposição de uma ditadura socialista travestida de democracia popular, o que levou a ampla maioria da sociedade a apoiar a derrubada pelos militares do presidente João Goulart.

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