SERGIPE É O PAÍS DO FORRÓ

Carlos Braz, 04 de Junho, 2019 - Atualizado em 04 de Junho, 2019

 

SERGIPE É O PAÍS DO FORRÓ

 Por Carlos Braz 

Sergipe é o país do forró. Assim cantou em rimas de grande inspiração o artista sergipano Rogério, falecido em 13/08/2014. Não sabia ele que com seu talento e alma de estanciano, afeito desde cedo às fuzarcas juninas, havia criado a música que se transformaria no hino extraoficial do nosso estado durante o mês de junho, que enfim chegou, com suas noites frias, aquecidas pelas chamas das fogueiras.

Reino da santíssima trindade do forró,  sanfona triangulo e zabumba, e afamado em prosa e verso por centenas de artistas de todas as vertentes, o ciclo junino é, indiscutivelmente,  o período do ano mais esperado por todos.

Festa de origem agrária, onde os valores sagrados e profanos se mimetizam, é composto por novenários e procissões em homenagem à Santo Antônio, São João e São Pedro, bem como por crenças, superstições e brincadeiras próprias do período, tais como quadrilhas, pau de sebo, quebra-pote, guerra de espadas, bacamarteiros, casamento do matuto, entre tantas outras.

No campo gastronômico as comemorações proporcionam um banquete eminentemente composto por guloseimas deliciosas produzidas com milho, bem como uma produção diversificadas de licores com sabores de frutas da terra, quentão e coquetéis que tornam ainda mais quente a jornada de alegria dos brincantes.

Nesse contexto, é também relevante o impacto econômico positivo  que a “brincadeira” provoca nas regiões em que são realizadas, visto que movimenta uma cadeia econômica diversificada onde vários segmentos alavancam suas receitas: hotéis, lojas de confecções e artefatos característicos da época, fogueiras, barracas de fogos de artifício e comida regional, músicos, ambulantes, e tantas outras categorias.

Os festejos juninos foram introduzidos no Brasil pelo colonizador português, e são resultado das trocas culturais ocorridas desde tempos remotos ressignificadas não só no Norte /Nordeste, mas também em outras regiões do país, exaltando e reafirmando nossa diversidade cultural.

Tinham inicialmente um caráter familiar e eventualmente comunitário. contudo, com o decorrer dos anos foram se tornando um evento grandioso, devido os valores culturais envolvidos, entre eles o pertencimento e a formação de identidades culturais, bem como o interesse midiático na divulgação da festa.

Tal intervenção resultou em uma “tecnificação” e glamourização das tradicionais quadrilhas juninas, que foram alvos de críticas relacionadas ao embate entre a tradição e a modernidade. Contudo, como aspecto positivo trouxe também a profissionalização dos brincantes e as apresentações hoje são transmitidas para todo a nação, aumentando nossa autoestima como cidadão nordestino, possuidor de uma cultura específica.

Assim sendo, Sergipe é uma festa só, em um frenesi observado desde o litoral até o sertão, reforçando ainda mais nossas raízes culturais. Tais manifestações populares contribuem efetivamente para a perpetuação dos festejos, ameaçados pela invasão de ritmos que não nos representam.

Construção social edificada pelos nossos antepassados, e reforçadas através do tempo pela música, poesia e esforço pessoal de milhares de brincantes anônimos, as noites de São João são, definitivamente, o retrato mais perfeito do nosso jeito de ser, que nos dignifica e nos orgulha.

 

 

 

 

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