RÉQUIEM A LUIZ ANTÔNIO BARRETO

Carlos Braz

Carlos Braz, 28 de Junho, 2019 - Atualizado em 29 de Junho, 2019

Tributo a Luiz Antônio Barreto 

Por Carlos Braz

 Nascido no dia 10 de fevereiro de 1944 na cidade de Lagarto, e falecido em 17 de abril de 2012, Luiz Antônio Barreto foi um dos personagens mais marcantes da vida cultural de Sergipe nas últimas décadas.

 Esquecido após sua morte pelas autoridades de plantão, seu nome não está gravado em placas de ruas, praças, escolas ou qualquer outro órgão ligado à história e cultura sergipana, mesmo sendo autor de obras literárias importantes na construção do conhecimento sobre nós mesmos, bem como autor de projetos culturais que, á época, não foram executados por aqueles que não compreenderam sua importância na consolidação de identidades culturais e pertencimento.

 Solenemente desprezado pelos mestres e doutores do mundo acadêmico, seus livros e centenas de artigos publicados na imprensa local, bem com sua atuação como pensador e agente cultural sobrepõe-se a muitas teses de mestrado e doutorado, que tiveram como destino o esquecimento nas estantes das bibliotecas.

Barreto foi um homem multifacetado, como atestam aqueles que com ele conviveram. Membro da Academia Sergipana de Letras e outras congêneres nacionais e internacionais, exerceu cargos importantes tanto na esfera pública quanto na privada, sendo participante ativo de colóquios com grandes nomes da cultura regional e nacional.

Dentre os cargos de destaque que ocupou citamos os de Diretor da Organização Simões Editora,  Secretário do Reitor da Universidade Federal de Sergipe (1971/1972), Superintendente do Instituto de Documentação Joaquim Nabuco em Recife (1987/1989), Administrador Estadual da Campanha Nacional da Escola e da Comunidade (1965/1966), professor nos cursos de cinema e literatura  da cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Secretário de Estado da Cultura do Estado de Sergipe, Coordenador do Curso de Geografia Cultural do Brasil (Nordeste da Bahia ao Rio Grande do Norte) para estudantes da Universidade de Essex, Inglaterra, Diretor do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, afora tantos outros que comprovam seu prestígio no âmbito da cultura nacional.

Os títulos que a ele atribuem, são as provas mais eloquentes do seu saber: jornalista, professor, pesquisador, filósofo, escritor, folclorista, ensaísta, poeta, dramaturgo, conferencista enriquecem um currículo invejável. E acima disso tudo foi uma pessoa extremamente atenciosa com aqueles que o procuravam em seu escritório repleto de livros em busca de saber e orientação.

Homem de índole pacífica, não conhecia a soberba, e mesmo quando atacado por aqueles que não tinham sua capacidade produtiva nem sua importância no cenário intelectual local, respondia com o silêncio dos sábios.

Historiador renomado, cultivou o gosto pela pela pesquisa e pela bibliofilia e cuidou para que os feitos de sergipanos ilustres não fossem esquecidos, publicando durante anos na imprensa local artigos sobre eles, bem como sobre nossas  efemérides.

Para que nossa cultura fosse conhecida, valorizada e preservada criou projetos culturais com resultados a longo prazo, como museus, fóruns, bibliotecas e encontros culturais, entre eles o Encontro Cultural de Laranjeiras que sobrevive por quatro décadas, com um protagonismo eminente ente os eventos desse porte em todo Brasil.

Luiz Antônio dedicou grande parte de sua vida ao estudo e divulgação daquele que foi um dos maiores nomes da história intelectual de Sergipe, Tobias Barreto, a quem se referia com essas palavras: “Tobias Barreto é um sedutor. Seduziu os jovens nordestinos, alunos da Faculdade de Direito de Recife, destronando os velhos conceitos embolorados nos compêndios sacralizados. Seduziu as galerias das sessões da Assembleia Provincial de Pernambuco, defendendo teses sobra a educação da mulher. Seduziu também o povo de Escada, que o acompanhou nas audiências, pressionando juízes e promotores para a boa administração da justiça.

Somente os que não conheceram a obra tobiática, e nem o contexto que a gerou, passam ao largo da figura genial do poeta e filósofo, um dos poucos a fazer do Brasil o objeto de suas preocupações e dos seus estudos”.

Conhecedor profundo dos nossos costumes, a obra literária e educacional de Barreto é, sem dúvida, um legado imorredouro do povo sergipano. Homem a frente do seu tempo, foi um Dom Quixote contemporâneo, para quem a virtude só poderia ser alcançada através do conhecimento.

 

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