Os honoráveis bandidos e as tentativas de acabar com a Operação Lava-Jato

Por Carlos Braz

Carlos Braz, 15 de Setembro, 2019 - Atualizado em 15 de Setembro, 2019

Os honoráveis bandidos e as tentativas de acabar com a operação Lava-Jato

Por Carlos Braz

 

Desde a sua deflagração em março de 2014, inspirada na Operação Mãos Limpas italiana, a Operação Lava- Jato continua a enfrentar inimigos poderosos, políticos e empresários de grosso calibre envolvidos em corrupção e outros crimes previstos em lei.

Alguns figurões deste universo de falcatruas que movimentaram quantias incalculáveis, desviadas dos cofres públicos, muitos deles conhecidos há décadas, amargaram, ou ainda amargam de maneira inédita, temporada nas celas da Polícia Federal, algo inimaginável em um país onde a impunidade reinava absoluta.

O jogo político em favor dos honoráveis bandidos ficou claro em diversas ocasiões durante esses conturbados cinco anos, com a participação efetiva dos presidentes de plantão. Dilma Rousseff tentou emplacar juiz em um tribunal superior com a missão de soltar empresários que ameaçavam fazer delação premiada.

Michel Temer, grampeado por um dos envolvidos, sugeriu manter o sistema de mesada em troca do silêncio, e parlamentares envolvidos tentam a todo momento aprovar medidas para restringir a ação do Ministério Público Federal, Polícia Federal, e órgãos fiscalizadores como o COAF e a Receita Federal.

Contudo, os fracassos sucessivos não desestimularam os infratores que continuam a traçar estratégias e a lançar ataques às claras ou dissimulados com o objetivo de por fim às investigações.

Corruptores e corruptos também estão com as atenções voltados para o STF. É nesse âmbito que florescem suas maiores expectativas de salvação em um momento em que nossa maior corte de justiça se defronta com uma crise sem precedentes.

Hoje, aos olhos do povo, o STF é uma instituição desacreditada. No Senado Federal as tentativas de instalação da CPI da Lava Toga, iniciativa que tem a frente o Senador sergipano Alessandro Vieira, por enquanto são barradas pelo presidente da casa; alguns de seus membros sofrem ameaças  de impeachment, e um dos filhos do Presidente da República afirma para fechar  a maior instancia da justiça brasileira  bastam um soldado e um cabo.

Nesse contexto onde tudo pode acontecer fica evidente que as mãos sujas também são incansáveis na manipulação dos cordéis em busca por impunidade.

A longa marcha da história nos mostra que os movimentos que libertaram as nações dos grilhões da corrupção generalizada, da impunidade, da política institucional que favorece sempre os mesmos, das exuberâncias e extravagancias com o dinheiro público, surgiram no seio da população mobilizada em torno de um ideal. E nós brasileiros, somos capazes disso, com uma participação efetiva nas decisões que emanam do parlamento, usando para isso os instrumentos legais a que temos direito.

O que você está buscando?