PÉROLAS DO TURISMO SERGIPANO

Por Carlos Braz

Carlos Braz, 13 de Novembro, 2019 - Atualizado em 13 de Novembro, 2019

PÉROLAS DO TURISMO SERGIPANO

Por Carlos Braz

Espremido entre Alagoas e Bahia o litoral sergipano não é devidamente divulgado e valorizado pelo trade turístico nacional, apesar de possuir uma rede hoteleira razoável com hospedagens para todos os gostos, praias aprazíveis na capital e no interior, manifestações culturais e uma gastronomia própria que nos diferencia dos nossos vizinhos mais beneficiados pela natureza.

Tal contexto, a meu ver, ocorre devido à falta de eficiência dos órgãos públicos responsáveis pelas políticas desenvolvimentistas no campo considerado como a indústria sem chaminés. Temos uma secretaria de turismo que ao longo dos anos foi usada como cabide de emprego para os apadrinhados políticos, práticas que levaram o órgão ao descrédito e fracasso na sua missão institucional.

Para se alcançar sucesso na área do turismo precisamos mais que uma bela paisagem. É necessário investimentos em infraestrutura adequada para receber os visitantes, oferecendo-lhes tudo aquilo que eles desejam encontrar nos destinos escolhidos. Segurança nos principais pontos turísticos, vias de acesso sinalizadas e em boas condições, higiene e bom atendimento em bares e restaurantes e acesso a sinal de internet são itens fundamentais importantes quando se pensa em viajar.

As grandes obras estruturais  aqui realizadas que proporcionaram  o desenvolvimento neste campo onde a competição por visitantes é acirrada remontam aos governos do ex-governador e prefeito João Alves Filho. Homem de pensamento, ação, e visão empreendedora, o Negão é responsável por projetos que modificaram para sempre o cenário social e econômico local.

Refiro-me a orla da praia de Atalaia e a ponte Aracaju/Barra, ambas relevantes para o crescimento do turismo em Sergipe.

Principal cartão postal de Aracaju, a orla da praia de Atalaia, possui atributos que a torna a mais equipada do litoral brasileiro, contudo, encontra-se hoje em situação precária. É comum nela encontrarmos calçadas com desníveis, pedras portuguesas arrancadas, esgotos com vazamentos, piquetes, estacionamento irregular e outras deficiências que causam transtornos aos transeuntes e dificultam a mobilidade, fatores que influenciam na avaliação e escolha dos que aqui chegam em busca de conforto e bem estar. Dias atrás uma turista acidentou-se em uma das suas passarelas que levam ao mar.

Outro ponto de inquestionável beleza é a orla da coroa do meio, onde podemos desfrutar de uma vista inédita da cidade, bem como do encontro do Rio Sergipe com o Oceano Atlântico. Em outro lugar certamente mereceria uma atenção maior por parte do poder público. No entanto, o que lá encontramos sem muito esforço são esgotos a céu aberto,construções irregulares , e estabelecimentos comerciais que primam pela imundície nas cozinhas e banheiros.

Já a ponte sobre o estuário do Rio Sergipe foi a realização de um sonho acalentado por muitos anos pelos sergipanos. Sua construção proporcionou o desenvolvimento sem precedentes  na Ilha de Santa Luzia, não apenas no campo do turismo mas também da construção civil, gerando emprego e renda, além de abriu uma nova fronteira para exploração do litoral norte e regiões adjacentes. 

É o exemplo perfeito de como  a infraestrutura oferecida pelo estado incentiva os investimentos da iniciativa privada, gerando uma nova dinâmica na economia, renda e tributos para os cofres públicos.

O mesmo efeito pode ser observado com as ações do setor privado no município de Canindé do São Francisco.  Xingó, o paraíso das águas, encravado entre Sergipe e Alagoas, é hoje o destino mais procurado do Estado de Sergipe por turistas de todos os lugares do Brasil.Pousadas aconchegantes de ambos os lados do Rio São Francisco, e uma infraestrutura gastronômica ribeirinha surpreendente são as atrações do lugar, aliadas as histórias do cangaço, relatadas sob um cenário de rara beleza.

Enumero aqui duas "pérolas" do turismo sergipano, que comprovam o pouco caso dos governantes quando o assunto é turismo.

A Rodovia Inácio Barbosa ex-Avenida José Sarney, que liga a praia de Atalaia ao litoral norte, frequentado por milhares de pessoas semanalmente nos oferece em seu leito  um sem número de buracos e falta de sinalização e de manutenção em seus equipamentos.

A  orla pôr do sol, obra da Prefeitura Municipal de Aracaju, fruto da urbanização da prainha do Mosqueiro, abriu o novas perspectivas para o turismo na região localizada às margens do Rio Vaza-Barris. Ali construiu-se um calçadão e um atracadouro, facilitando o acesso à croa do goré, point turistico do local, e  instalou-se uma feirinha aos sábados vendendo produtos típicos do nosso estado.

Por outro lado, o projeto valorizou a cultura local, com apresentações de grupos folclóricos regionais, e, a grande e surpreendente novidade: um sanfoneiro, dentro de um barco, a executar uma Ave-Maria as 18 horas, emoldurado por um entardecer de rara beleza.

O sucesso da iniciativa foi imediato, atraindo turistas, moradores da região e de outros bairros, movimentando a economia local e gerando renda.

Contudo, sem motivo aparente, a prefeitura acabou repentinamente com o com o evento frustrando os que ali comercializavam, abandonando tudo a própria sorte, e logo o espaço estava vandalizado, e sem manutenção não resistiu aos rigores do tempo, transformando-se num local ermo e mal frequentado.

Assim passaram-se dois anos com tudo em completo abandono.

Agora a Orla pôr do sol ressurge, restaurada, mas sem nenhum projeto similar ao anterior, o que comprova a falta de visão dos responsáveis pelas ações voltadas para impulsionar o turismo.

Como demonstramos, Sergipe não é o patinho feio do turismo no nordeste. Temos um povo ordeiro e receptivo e um potencial significativo a ser explorado. Falta-nos homens de pensamento e ação.

O que você está buscando?