Número de MEIs cresce em Sergipe durante a crise

Alta foi de 42,7% quando comparado ao mesmo período do ano passado

Carlos Eloy, 11 de Junho, 2020 - Atualizado em 11 de Junho, 2020


Em meio à crise, o número de pessoas que buscaram a formalização como microempreendedores individuais cresceu em Sergipe. Entre os meses de março e maio, 3.246 pessoas optaram por se formalizar, um crescimento de 42,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 2.274 empreendedores realizaram o registro.

O levantamento foi realizado pelo Sebrae com base nos dados disponibilizados pela Receita Federal. Atualmente o estado conta com 63.883 MEIs. Entre as atividades que concentram o maior número de profissionais estão o comércio varejista de artigo de vestuário (5.818), cabeleireiros (5.472), promotor de vendas (2.343), comércio varejista de mercadorias em geral (2.167) e lanchonetes (1.819).

De acordo com a gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae, Ana Teresa Silva Neto, um dos principais motivos que contribuíram para essa alta o foi o aumento do desemprego entre os sergipanos no período. Segundo dados do Ministério da Economia, apenas em abril 4.833 vagas foram fechadas em Sergipe. Nos quatro primeiros meses o saldo é 9.486 demissões.

 

“ As pessoas que perderam o emprego vão precisar de uma nova fonte de renda e por isso muitas delas estão buscando ter o próprio negócio. É um fenômeno que chamamos de empreendedorismo por necessidade”. 

É o caso da terapeuta capilar Tabatta Mello, que trabalhava em um salão de beleza no Bairro Atalaia e com o fechamento do estabelecimento durante a pandemia decidiu empreender por conta própria. Ela realizou a formalização como MEI no início de abril e desde então vem realizando atendimentos em domicílio.

“ Precisava encontrar um caminho para manter a minha renda. Eu já tinha uma clientela fixa e coloquei em prática algumas estratégias para divulgar esse trabalho. Investi na presença em redes sociais, criei um serviço chamado home care de produtos, em que faço uma avaliação dos itens que o cliente tem em casa e o oriento sobre a maneira correta de utilizá-los, além de indicar aqueles que são mais adequados para cada tipo de cabelo, e apostei também na venda de mercadorias. Essas ações deram certo e hoje estou faturando mais que no meu antigo emprego”.

Recomendações

A gerente do Sebrae, Ana Teresa, indica que a alta no número de formalizações deve continuar ao longo dos próximos meses. “É uma tendência que já estávamos acompanhando e que permanecerá. Com o agravamento da crise mais pessoas estarão fora do mercado de trabalho e precisarão de um novo começo. O MEI se consolida como uma alternativa viável porque ele é o caminho mais fácil para esse público garantir alguns benefícios sociais, como o direito à aposentadoria, e de ter um negócio devidamente regularizado”.

Entretanto, antes de buscar a formalização, é preciso que o futuro empreendedor tenha alguns cuidados. “ É preciso fazer um planejamento do negócio, buscar informações sobre o mercado que ele pretende atuar, estar atento aos controles financeiros, analisar público alvo e fornecedores. Caso ele não domine esses temas, será necessário investir em capacitações e o Sebrae tem um portifólio diversificado para auxiliá-lo nesses processos. Uma coisa importante que ele deve se atentar é se a atividade que ele deseja exercer pode ser enquadrada como MEI”.

O MEI é categoria jurídica direcionada as pessoas que trabalham por conta própria, faturam até R$ 60 mil ao ano, não possuem participação em outras empresas como sócio ou titular e empregam no máximo um funcionário recebendo o salário mínimo ou o piso da categoria.

Mediante o pagamento de uma taxa mensal de no máximo R$ 58,25 o trabalhador passa a contar com auxílio doença, salário maternidade, aposentadoria após 15 anos de serviço e pensão por morte. Outros benefícios importantes são poder vender para o governo, ter acesso facilitado aos serviços bancários e linhas de crédito.

Por: Ascom Sebrae 

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