MEDICINA, DO SACERDÓCIO AOS NEGÓCIOS

Antonio Samarone, 28 de Maio, 2019

Medicina: do sacerdócio aos negócios... (deu no El País)

A Nobel de Química, Ada Yonath, analisando o futuro do envelhecimento, faz uma alerta: A longevidade disparou graças aos antibióticos, em meados do século passado. Ocorre que as bactérias ficaram resistentes.

Disse a cientista israelense:

“Os micro-organismos resistentes são os novos assassinos em série. Mais de 33.000 europeus morrem um ano por conta desse fato. Um impacto maior que o da AIDS, tuberculose e gripe. Em quase metade dos casos (39%), as bactérias letais eram imunes aos antibióticos mais recentes.”

Precisamos de novos antibióticos, para a expectativa de vida não retornar aos 50 anos.

Acontece, que do ponto de vista econômico, a indústria farmacêutica não tem interesse em investir na produção de novos antibióticos. Ganham mais com os remédios de uso continuado, para as doenças crônicas. Disse Ada Yonath:

“Os laboratórios não querem sintetizar novos antibióticos, porque são muito caros de fabricar, são vendidos muito barato e são usados durante poucos dias, não como outros tratamentos caros, como os do câncer. E há resistências, porque as bactérias são espertas, encontram o caminho para sobreviver.”

Continua a cientista israelense:

“Nos últimos 20 anos, apenas três novos foram desenvolvidos. Não é nada. O último deles, completamente novo, já apresentava resistências um ano depois de ter entrado em uso. As grandes companhias deixaram de fazê-los, mas devem continuar nisso. A longevidade é algo fantástico, mas pode ser detida por coisas estúpidas.”

Antônio Samarone.

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