A Indústria da Carne e a Saúde Pública

Antonio Samarone, 21 de Junho, 2019 - Atualizado em 21 de Junho, 2019

A Indústria da Carne e a Saúde Pública. 
(por Antônio Samarone)

Ao longo da história a humanidade domesticou trinta espécies de gado e criou uma incrível variedade de raças. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já documentou cerca de oito mil raças.

Por outro lado, a produção industrial intensiva desenvolveu algumas raças, geneticamente modificadas, visando maximizar a produção e as características úteis do ponto de vista comercial, como o crescimento rápido, o aproveitamento eficiente da forragem e o maior rendimento.

O resultado dessa estratégia: raças de alto desempenho geneticamente padronizadas, que demandam forragens ricas em proteínas, produtos farmacêuticos caros e instalações climatizadas para sobreviver. Um ataque a biodiversidade!

O porco criado em Itabaiana por pequenos sitiantes é um clone produzido nos USA, que em três meses já está pronto para o abate. Quatro empresas no mundo cobrem dois terços do total da pesquisa e do desenvolvimento de suínos e bovinos no mundo. Dirá o leitor menos atento: que bom, só assim teremos mais carne para o consumo.

Ocorre que a baixa diversidade genética das raças comerciais aumenta a sua vulnerabilidade a pragas e doenças. Por isso, os produtores empregam grandes quantidades de fármacos (antibióticos e hormônios), tanto para evitar doenças como para promover o rápido crescimento do animal. Os porcos que recebem antibióticos precisam de 10 a 15% menos alimentos para atingir o peso de mercado.

Nos Estados Unidos, a produção pecuária consumiu 13 mil toneladas de antibióticos em 2009, o que representa quase 80% de todos os antibióticos utilizados no país. As pesquisas apontam esse uso industrial dos antibióticos como o principal responsável pelo aumento da resistência bacteriana. Segundo a OMS, atualmente são administrados mais antibióticos a animais saudáveis do que a humanos doentes. Assim nascem as superbactérias.

Os pesticidas e herbicidas despejados sobre as culturas e pastagens deixam vestígios na carne, no leite e nos ovos. No Brasil, o herbicida glifosato (Roundup) da Monsanto é usado largamente na produção de soja. Além de afetar a biodiversidade, contaminar a água, o glifosato modifica o sistema hormonal humano é teratogênico e cancerígeno. Esse crescimento da incidência das neoplasias não decorre unicamente do envelhecimento.

Portanto, a carne plastificada dos supermercados, embaladas à vácuo a -4 graus, esterilizadas, mantidas artificialmente vermelhas, distribuídas pela indústria da carne representam elevados riscos para a saúde pública, bem maiores que os matadouros, marchantes e a comercialização em feiras livre.

Não se trata de “achismos” ou opinião pessoal. Os detalhes, as pesquisas, a fundamentação podem ser encontradas no “Atlas da Carne”, da Fundação Heinrich Böll. http://actbr.org.br/uploads/arquivo/1123_atlasdacarne.pdf

Antônio Samarone.
https://blogdesamarone.blogspot.com/

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