GENTE SERGIPANA - MANOEL MESSIAS SANTOS FILHO

Por Antônio Samarone

Antonio Samarone, 01 de Agosto, 2019

O Porteiro do Parque...

Seu Messias era o porteiro do Parque da Sementeira. Educado, alegre e prestativo. Os frequentadores eram recebidos com um bom-dia, tratados nominalmente, saudados com uma mensagem de alegria. Boa caminhada seu fulano, dizia Seu Messias a todos. Ele brincava até com os cachorros de estimação...

Seu Messias exercia a função de porteiro com a satisfação de um embaixador, de um ministro. Em sua humildade, seu Messias era feliz e se orgulhava de ser o porteiro do Parque. Era agradecido. Dizia de boca cheia: “quem me botou aqui foi o finado Marcelo Déda!” Seu Messias é servidor público há 31 anos. Exercia o cargo de porteiro há 15 anos.

Seu Messias mora no Alto da Jaqueira e vive modestamente. Mesmo assim, por conta própria, está concluindo o curso de gestão pública, numa faculdade particular. Essa semana sentimos a ausência do Seu Messias na Portaria do Parque. Faltava um sorriso!

O que houve?

Adoeceu, aposentou-se, tirou férias? Todos queriam saber... Não, nada disso! A gestão transferiu Seu Messias! Onde seu Messias errou, quais os motivos? Nada, apenas uma renovação. Alguém não foi com a cara dele. Quem falou que o serviço público precisa observar o lado humano dos servidores?

Encontrei o Seu Messias no Mercado Central, atônito, perdido, mas não reclamou nada. Morrendo de medo, mas sem perder o sorriso largo. O que houve seu Messias? Ele não soube ou não quis responder. Os de baixo acham que as injustiças fazem parte da vida, não se lamentam. Achando que a sua felicidade, o seu zelo, a sua dedicação ao serviço público foi apenas um dever.

Seu Messias só manifestou uma preocupação: “será se eles vão cortar a gratificação de porteiro, que eu recebo há 15 anos, desde os tempos de Marcelo Déda. É pouco, uma merreca, mas fará muita falta!”

Volte Seu Messias!

Antônio Samarone.

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