Os Mistérios da Ciência

Por Antônio Samarone

Antonio Samarone, 03 de Setembro, 2019

Visitei Seu Caçulo (87 anos), um tabaréu das Candeias que, há anos, reside em Aracaju. Gostei do papo! Ele conhecia o meu avô Ascendino. Nasceram no Engenho “Matebe”, hoje povoado da Moita Bonita.

Dessa vez tive uma surpresa, Rosinha (82 anos), sua esposa, está em estágio avançado de Alzheimer. Ele é quem cuida. A filha que tiveram, morreu no ano passado.

Meio acanhado, perguntei: o que Rosinha tem? Ele de pronto: “caducando, ficou demente, não se assunta mais de nada e nem reconhece mais ninguém.” E quem está cuidando? Perguntei preocupado. Ele: “Deus! E eu tomo conta...” Imaginei as dificuldades.

Caçulo acrescentou: “outra coisa, ela não morre tão cedo. Eu tenho certeza que embarco antes.” Ele ainda filosofou: “as demências prolongam a vida. Gente assim não tem preocupação, nem raiva, nem aborrecimento. O que mata a gente é desgosto, e disso ela está livre.” Nunca tinha pensado, será se Caçulo está certo?

Com o envelhecimento da população, teremos cada vez mais gente com idade acima de 80 anos. A medicina acredita que mais da metade das pessoas acima de 85 anos, terá problemas com as demências. E a ciência ainda sabe pouco, para prevenir.

Imagine! A pessoa esquece de tudo, até mesmo quem é. Não é assustador? Seu Caçulo acha que não. Ele acredita que o sofrimento é para quem toma conta. A pessoa com demência apenas não consegue se comunicar, dizer o que pensa. A alma, o espírito dela sabe de tudo o que está se passando, disse ele com muita certeza. “Eu sou espírita, doutor...!”

Ele ainda perguntou: “estou certo, Rosinha?” Ela nem disse que sim nem que não. O semblante dela ficou impassível. Eu fiquei calado...

Vou perguntar aos doutores da neurociência!

Antônio Samarone.

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