A Era do Vazio

Por Antônio Samarone

Antonio Samarone, 13 de Otubro, 2019


Este poema venceu um recente concurso aqui em Sergipe.

“Tec lec; tec bec e tec peque;
Lec tec, bec tec e peque tec.
Nada é nada...
Tudo é tudo...
O mundo é redondo ou plano, sobretudo!
Plano e redondo é o mundo da alvorada...
Nada é nada
Tudo é tudo.”

Inconformado, procurei o coordenador do concurso para indagar: não entendi nada, o que é que o poeta quis dizer, com a sua arte?

O coordenador me respondeu ríspido: “não precisa entender, basta sentir. Poesia não precisa dizer nada, é arte. Sinta a beleza. A arte não precisa da realidade. A arte é pura, bela, vem da alma humana antes do pecado original. A alma é eterna e a arte é imortal.”

“Acabe com essa mania de querer politizar a arte, encontrar significados, isso é puro oportunismo. A arte existe para acariciar a alma, que vive angustiada com a morte de Deus. A arte nem é verdade nem mentira, é só arte.”

“A arte se basta, entendeu?”

Não, não entendi, até piorou. Além de continuar sem entender a arte da poesia, não entendi a explicação. A conversa ia render, mas deixei prá lá, o cabra é meu amigo, e não quero criar mais desavenças.

Antônio Samarone.

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