Quem é o dono do Parque da Sementeira?

Por Antônio Samarone

Antonio Samarone, 01 de Novembro, 2019

O Parque da Sementeira foi criado por Getúlio Vargas, em 20 de julho de 1933, como um Campo Experimental para a cultura do coco em Sergipe, pelo Decreto 22.973, com a dotação de 27:000$000, para os seus trabalhos de instalação.

Foi comprada uma fazenda de 100 hectares. A Sementeira ia do Hospital Primavera ao Rio Poxim.

Entre os fundos do Batistão e a Tancredo Neves, o que não era nem mangue nem apicum, pertencia quase tudo ao Parque, era público. Particular mesmo, só pequenas chácaras na beira do Poxim e uma ocupação dispersa de pescadores chamada "Japãozinho".

Os primeiros coqueiros foram plantados na Sementeira em agosto de 1934, tornando-se o primeiro campo de produção de mudas de cocos no Brasil. Uma grandeza para Sergipe.

Com a criação da EMBRAPA em 1972, o Parque da Sementeira passou para o seu domínio. Aqui começou a privatização da área. Grandes empresas de construção civil “compraram” a metade da Sementeira, a preço de banana. Virou o bairro Jardins.

Em 1980, o Prefeito Heráclito Rollemberg adquiriu 48 hectares para criar um Parque Público.
Sem essa medida, hoje só teríamos prédios...

Uma das primeiras benfeitorias de Heráclito foi a construção dos dois lagos na Sementeira. Cavaram e fizeram uma ligação com o Rio Poxim. Atualmente estão poluídos, porque poluíram o Rio.

O Parque da Sementeira, que possuía 100 hectares, foi aberto ao Público em abril de 1985, com 48 hectares. Restam 40 hectares, mais uma área de 4 hectares, no fundo da atual EMBRAPA, que foi doada à Prefeitura recentemente.

Em 1989, durante a gestão de Wellington Paixão, a Lei 1.477 transformou o Parque da Sementeira em Área de Proteção Ambiental (APA). Precisava de um plano de manejo (lei 6.902/89), definindo-se o que podia e o que não podia existir na APA. Nada foi feito!

Sem plano de manejo, a Prefeitura empurrou dois órgãos públicos para ocuparem a sementeira. E pode? Ninguém sabe, não existe plano de manejo.

A especulação imobiliária nunca se conformou de ter ficado só com a metade da Sementeira. Acham um desperdício...

Durante a última gestão João Alves, foi encomendado a Jaime Lerner um projeto para a Sementeira. Por nossa sorte ficou só no papel, iam transformar a Sementeira num “Beto Carrero World”.

O Prefeito Edvaldo tem anunciado que vai gastar 20 milhões para reformar a Sementeira. Fazer o que? Ninguém sabe, nem ele, pois não existe projeto. Um diz uma coisa, outro diz outra, tudo na base do improviso.

O intelectual e ambientalista Luiz Eduardo Costa propõe: “Que ele faça, do Parque da Sementeira Augusto Franco, uma área de lazer protegida da insensatez de barulhos absurdos, e de multidões que pisoteiam e danificam.”

Hum, tá fácil... Hoje na Sementeira circulam mais carros do que gente.

Luiz Eduardo ainda informa: “o dirigente da EMSURB, Luiz Roberto Santana empenha-se em criar, anexo ao parque, uma área específica para a vegetação de restinga, aquela, que acompanha as nossas praias, e hoje desaparecendo. E assim teremos um jardim, onde estarão preservados o grageru, araticum, maçaranduba, cajuí, ingá, murici, etc....”

Lotear, como no passado, creio que não será mais possível.

As forças da especulação imobiliária e da privatização propõem a criação de uma avenida cortando o Parque, uma “área de eventos, com 40 mil metros quadrados”, uma arena multiuso (tipo o antigo Augustos), três restaurante, pista de motocross, e coisas do gênero. Tudo dentro da “parceria público privado”.

A sorte é que a construção civil não manda mais na prefeitura de Aracaju. Ou manda?
Senhor Prefeito, o que a sociedade civil pede é que o senhor simplesmente cumpra a Lei. A Sementeira (Parque Augusto Franco) é uma Área de Proteção Ambiental.

Antônio Samarone.

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