Gente Sergipana – Monsenhor Carvalho (93 anos)

Antonio Samarone, 01 de Dezembro, 2019 - Atualizado em 01 de Dezembro, 2019

 


José Carvalho de Souza Nasceu em Lagarto, em 24 de novembro de 1926. Filho de Joaquim Vieira Souza e Maria Carvalho de Souza. A mãe faleceu durante o seu parto. O padre Carvalho foi criado pela avó materna, dona Joana Rosa do Amor Divino.

O Padre Carvalho apreendeu as primeiras letras com a professora Maria de Cerqueira Teles, na Escola Nossa Senhora Auxiliadora. Concluiu o primário no Grupo Escolar Sílvio Romero.

O menino José Carvalho tentou aprender o ofício de alfaiate, com seu Miguel, não deu certo. Não aprendeu chulear. Tentou ser sapateiro, com o mestre Sabino, também não conseguiu. Só encheu as pernas de calo, batendo sola.

José Carvalho aprendeu um pouco de música, chegou a tocar trompa, na Lira Popular de Lagarto.

Como não se deu com o artesanato, a avó mandou o menino para a fazenda do tio, conhecido por seu Maroto, para tomar conta de terras e gado. Também não deu certo.

Depois de tentar vários caminhos, José Carvalho resolve ser padre. A avó não acreditava, achava que ele não gostava de estudar. Mas o destino estava traçado, em 14 de fevereiro de 1946, aos 20 anos, matriculou-se no Seminário de Aracaju. O reitor do Seminário era o Monsenhor Olívio Teixeira.

Concluído o curso de humanidades no Seminário de Aracaju, transferiu-se (em 1950) para o Seminário da Paraíba onde cursou filosofia. Em 1953, procurando uma melhor formação, foi buscar o Seminário do Rio Grande Sul para estudar teologia. Ordenou-se sacerdote em 02 de dezembro de 1956, na cidade do Lagarto.

Dado a sua competência e interesse pela educação, o novo padre José Carvalho, no ano seguinte (1957), já seria nomeado vice-reitor do Seminário Diocesano de Aracaju. E no mesmo ano, assumiu a reitoria do Seminário. Começava uma carreira de educador.

Em 1960, o padre José Carvalho fundou o Educandário Arquidiocesano Sagrado Coração, depois Colégio, que organizou, tornando-o um dos melhores colégio de Sergipe. O Padre Carvalho foi o seu diretor até 2012, quando de forma nunca esclarecida, a Arquidiocese de Aracaju pôs fim a uma brilhante jornada. A decisão da Arquidiocese foi, no mínimo, uma profunda ingratidão.

A vida do Monsenhor Carvalho foi o Colégio Arquidiocesano, 52 anos de dedicação.

Fui professor de ciências e biologia no Colégio Arquidiocesano por cinco anos. O ensino da teoria da evolução nos cursos de biologia em Sergipe é recente, data da década de 1970. O livro de biologia adotado passou a ser o “Biological Science Curriculum Study (BSCS)”, versão verde e azul, em português, onde a base teórica da biologia passava a ser a teoria da evolução e a genética.

Pensei, estou numa enrascada. Como ensinar a teoria da evolução, com a sua visão materialista da origem da vida, num Colégio Católico? Procurei o Monsenhor Carvalho, diretor do Colégio e expus o dilema. Ele foi sucinto e claro: “você ensina biologia e eu ensino o catecismo”. Uma aula de arejamento pedagógico.

Outro exemplo da grandeza do Monsenhor Carvalho se deu no episódio da expulsão de alguns alunos da Escola Pública (Atheneu) por “subversão”, durante os anos de chumbo da ditadura. Os meninos ficariam com o futuro comprometido sem acesso à escola. O Monsenhor Carvalho, um homem conservador, de imediato resolveu a pendência, aceitou a matrícula dos “subversivos” no Arquidiocesano.

O Monsenhor Carvalho engrandece a galeria dos grandes educadores de Sergipe.

Como Pastor, tenho saudade das suas missas ao final das tardes dos sábados, transmitidas pela Rádio Cultura. A sua voz arrastada, com ênfase nas sílabas finais das palavras, ecoavam nos quatro cantos de Sergipe, divulgando o evangelho.

Parabéns ao pastor e educador José Carvalho de Souza.

Antônio Samarone.

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