Não sou robô!

(por Antônio Santana)

Antonio Samarone, 25 de Dezembro, 2019


Quando publicado em 1949, o livro de George Orwell (1984), pareceu uma ficção exagerada. Uma visão improvável. O livro foi uma advertência: “do jeito que o mundo anda, a humanidade perderá qualquer sentido, os homens se tornarão autômatos, sem alma, e sem consciência disso.”

Esse tempo chegou?

O pensamento ocidental perdeu a fé na capacidade do homem de criar um mundo de justiça e paz. Essa confiança que vem do pensamento grego e dos profetas do Velho Testamento, que pregavam a vinda do Messias, acabou.

Parece que nem teremos o milenarismo, nem Dom Sebastião voltará...

Com o iluminismo, Thomas More pensou numa cidade utópica, um reino de felicidades. A Cabana do Pai Thomaz fez grande sucesso com as suas ideias socialistas. Era a esperança na perfeição individual do homem.

Não se acredita mais nisso!

Os livros 1984, de Orwell, e o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, são utopias negativas que começam a se realizar.

Há 400 anos, no início da Era Moderna, o homem era repleto de esperança. Hoje, caiu no desencanto.

Na utopia de Orwell, 1984, o homem perde a sua identidade através da manipulação ideológica e psicológica por parte de uma burocracia estatal totalitária. O homem perde a liberdade, vigiado pelo terror e tomado de medo. Não era uma crítica apenas ao stalinismo soviético, mas também a todo mundo industrializado e capitalista.

Há quem diga que esse tempo chegou.

A partir da hegemonia do neoliberalismo, do mercado financeiro e da globalização o mundo passou a ser comandado pelo Big Data, pelos algoritmos, pela inteligência artificial e pela automação. O homem está vigiado pelas redes sociais e perdeu o que restava da sua humanidade.

Hoje o computador já nos pede comprovação que somos humanos, e não robôs. Em certos aplicativos, a operação só continua quando marcamos um X no local solicitado pela máquina.
( ) Não sou robô!

Antônio Samarone.

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