Anauê! (por Antônio Samarone)

Antonio Samarone, 07 de Janeiro, 2020 - Atualizado em 07 de Janeiro, 2020

Reencontrei um velho colega, médico bem-sucedido, e travamos uma conversa demorada sobre direitos humanos no Brasil. Discordamos em quase tudo. Ele assustado com as minhas ideias e eu com as dele. A certa altura eu apelei: meu amigo, você aderiu ao fascismo?

Ele retrucou, o que você chama de fascismo? Eu fiz uma síntese. Logo percebi que fascismo para mim é uma coisa, para ele é outra. Só concordamos num ponto: a nossa conversa era um diálogo de surdos, sem chances de entendimento.

A escalada da direita no mundo (Trump, Boris Johnson, Salvine, Orbán, Netanyaru, Bolsonaro) é vista por ele como uma esperança e por mim como uma assombração. Ele aplaudiu a execução do General iraniano, Eu condenei. É o fim do diálogo?

O integralismo de Plinio Salgado (o fascismo brasileiro), com as suas esquisitices, o sigma no lugar da suástica, o anauê como saudação, o uniforme verde (galinhas verdes), as marchas, a disciplina militar, são vistas de forma caricatural. A direita atual no Brasil não assume a herança integralista, muito menos fascistas.

Esse debate está só começando. Existe uma ameaça fascista no Brasil?

No próximo dia 20 de Janeiro será lançado no Brasil uma biografia de Benito Mussolini, do escritor italiano Antônio Scurati. Uma nova abordagem sobre o fascismo, que promete facilitar o entendimento sobre a realidade atual. A entrevista de Scurati no El País, atiçou a minha curiosidade. Novas reflexões sobre o fascismo.

A história está ou não se repetindo?

O livro já é best-seller na Itália. No site de compras do Amazon, existe fila de espera dos interessados no livro.

Uma coisa é evidente, a polarização ideológica no Brasil está em plena ebulição.

No final, falamos de futebol: ele é flamenguista e eu tricolor.

Antônio Samarone.

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