Parir ou não parir... (por Antônio Samarone)

Antonio Samarone, 16 de Fevereiro, 2020

Segundo a OMS, o parto é um processo fisiológico e natural que pode ser vivenciado sem complicações pela maioria das mulheres e bebês. Desde 1985, a comunidade médica internacional considera que a taxa ideal de cesárea (parto cirúrgico) fique entre 10% e 15%.

Como andam os partos em Sergipe?

Entre o parto à fórcipe, o parto cirúrgico, o parto normal e o parto natural existem distâncias e uma convergência: os partos no Brasil precisam ser humanizados.

O que é o parto natural?

O parto natural é o realizado sem intervenções ou procedimentos desnecessários durante o período do trabalho de parto, no parto ou pós-parto. E com o atendimento centralizado na mulher. No parto natural, a saída do bebê ocorre pelo canal da vagina, sem qualquer intervenção cirúrgica.

O parto natural é o parto normal sem intervenções, como anestesias, episiotomia (corte cirúrgico feito no períneo) e indução. O tempo da mãe e do bebê são respeitados e a mulher tem liberdade para se movimentar e fazer aquilo que seu corpo lhe pede.

Em Sergipe, os partos normais caminham para a extinção.

Em 1997, dos 43.530 partos em Sergipe, 35.075 foram partos normais (via vaginal), 7.884 cesáreas (cirúrgicos) e 571 ignorados (sem informações). A proporção de partos cirúrgicos foi de 18%, um pouco acima do preconizado pela OMS, mas dentro de um limite.

Em 2007, dos 36.920 partos em Sergipe, 26.170 foram partos normais, 10.686 cesáreos e 64 ignorados. Não se assustem com a redução dos partos, foi isso mesmo, os nascimentos diminuíram. O que chama a atenção é que a proporção de partos cirúrgicos, aumentou para 29%.

Em 2017, dos 35.061 partos em Sergipe, 19.697 foram partos normais, 15.356 cesáreos e 8 ignorados. A proporção de partos cirúrgicos elevou-se para 43%, quase a metade.

Em Sergipe, o crescimento dos partos cirúrgicos avançou de 18% em 1997, 29% em 2007, para 43% em 2017. Se a tendência continuar, em quantos anos teremos todos os partos cirúrgicos.

Quem quiser parir pela via vaginal, sentir as dores do parto, que se apresse, em Sergipe pode virar coisa do passado.

Antônio Samarone.

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