A primeira Campanha de vacinação contra a Poliomielite, em SERGIPE (abril de 1962). (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 22 de Fevereiro, 2020

Diante de um surto de paralisia infantil no Estado de Sergipe, no final de Março de 1962, compareceu ao Estado o Dr. Getúlio Moura Lima, Diretor do Departamento Nacional da Criança, ligado ao Ministério da Saúde, visando fornecer as condições para realização da primeira campanha em massa de vacinação contra a pólio, em Sergipe...

Por iniciativa do SESC – serviço Social do Comércio, houve uma vacinação contra paralisia infantil em Sergipe, em fevereiro de 1958, onde foram imunizados com a vacina SALK, os filhos dos comerciários de 0 a 4 anos. Essa vacinação foi feito sob orientação do Dr. Walter Cardoso. A vacina Sabin, somente seria lançada no mercado entre 1961-62.

Em 1962, ocorreu a primeira Campanha de Vacinação em massa, contra a poliomielite.

Em abril de 1962 foi organizada uma comissão, formada pelas autoridades sanitárias do Estado, para iniciar a campanha de combate à paralisia infantil.

A comissão foi formada pelo Secretário da Educação e Saúde, Dr. Antonio Garcia; pelo Delegado do Departamento Nacional da Criança, Dr. João Cardoso; pelo Diretor do Departamento de Saúde Pública, Dr. Juliano Simões; e pelos Representantes da Saúde do Município, Dr. Adel Nunes; da LBA, Dr. Sílvio Santana; do DNERU, Alexandre Menezes, do Parreiras Horta, Teotonilo Mesquita e do Dr. João Batista, pelo Serviço Cooperativo do Estado.

A previsão era a de aplicar 25 mil doses da vacina Sabin, num período de vinte dias. As vacinas foram fornecidas pelo Ministério da Saúde.

Foi também criada uma comissão de mobilização, formada pelos médicos Paulo Carvalho, José Machado de Souza, Gileno Lima, Walter Cardoso e dois acadêmicos de medicina.

Ficou definido que entre os dias 24 a 29 de abril de 1962, todas a crianças de Sergipe entre quatro meses e seis anos de idade, deveriam ser vacinadas em Aracaju. Houve uma grande mobilização em todo o Estado.

A campanha foi coordenada pelo Dr. João Cardoso Nascimento Junior.

Os locais de vacinação foram descentralizados pelas unidades de Saúde existentes em Aracaju naquele momento. Foram 22 locais escolhidos: Postos de Saúde do Palácio Serigy, Dona Jove (B. Industrial), Dona Sinhazinha (B. Grageru), Carlos Menezes (B. Santo Antonio), Antonio Alves (Atalaia), LBA, Centro Professor Martagão Gesteira (Hospital de Cirurgia), Posto Médico do Mosqueiro. Os demais locais de vacinação foram instalados em Escolas e outros prédios públicos.

Exatamente na data prevista, 24 de abril, as 07 horas, o Governador Luiz Garcia abriu a campanha, colocando as gotinhas na boca da primeira criança. No primeiro dia foram imunizadas mais de oito mil crianças.

Somente de Itabaiana, o Prefeito Euclides Paes Mendonça trouxe mais de mil crianças, em quarenta veículos.

Eu estava nessa comitiva. Mesmo com oito anos, e a vacina sendo indicada até os seis anos, minha mãe achava que seria bom eu me proteger, e me empurrou em um dos ônibus. Talvez por isso, no final faltaram vacinas.

Das 30 mil doses enviadas pelo Ministério, até penúltimo dia já tinham sido aplicadas 29.854 doses. Na sexta-feira, dia 29 de abril, dois ônibus de Campo do Brito e Itabaiana voltaram sem ter conseguido vacinar as crianças. A vacina acabou.

Essa foi a minha segunda visita a Aracaju. Com um ano de idade, fui trazido às pressas para retirada de um tumor no peito, no Hospital de Cirurgia, e fui salvo pelas mãos do Dr. Airton Teles, filho de Itabaiana.

Voltei aos oito anos para me vacinar.

Nessa viagem, quando a marinete passava pela Av. Maranhão, perto do antigo aeroporto, alguém gritou: olhe um avião! Eu ouvi a “zoada”, e como nunca tinha visto um avião, incontinente, botei a cabeça para fora pela janela. Além de não avistar nada, o chapéu novo, de couro, comprado só para a viagem, voou de minha cabeça. Eu nem vi a invenção de Santos Dumont e ainda por cima perdi o meu chapéu.

Fui vacinado na LBA, em abril de 1962.

Antonio Samarone.

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