Aracaju – Curral do Bomfim e Ilha das Cobras. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 02 de Abril, 2020



O cortiço Curral do Bomfim, em Aracaju, localizava-se na baixada da Avenida Pedro Calazans com a rua de Siriri. Era um antro de prostituição, pobreza e doenças.

Observem essa sucinta descrição do “Curral” feita por Murilo Melins, em seu livro “Aracaju Romântica que eu vi e vivi”: “cercado por arame farpado, dezenas de casebres e algumas bodegas, era habitado por prostitutas decadentes, tuberculosas, sifilíticas carcomidas pelas doenças venéreas e maus tratos...”

Na visão de Mário Cabral, em seu “Roteiro de Aracaju”, “o Curral do Bomfim era o último degrau, em escala descendente, no caminho do vício, da miséria e do sofrimento. Depois do Curral, o leito de indigente do Hospital Santa Isabel. Depois, a vala comum no Cemitério dos Cambuís.”

A Ilha das Cobras localizava-se entre as Avenidas Airton Teles e Coelho e Campos, numa zona de mangues e apicuns. No centro do alagado existiam umas áreas mais elevadas, que com a maré cheia formava a citada ilha. A sua ocupação resultou na primeira favela reconhecida de Aracaju.

O Curral e a Ilha das Cobras foram extintos em 1953, no governo Arnaldo Garcez, por iniciativa da Comissão de Recuperação Social. A ideia foi do doutor Walter Cardoso, Diretor do Departamento de Saúde.

Walter Cardoso foi um médico sanitarista inspirado numa visão abrangente da Saúde Pública, quase que antecipando as visões sanitárias moderna, onde a promoção da saúde é vista basicamente como resultante da qualidade de vida.

A alternativa para enfrentar a questão da qualidade de vida nas duas favelas de Aracaju foi à remoção do problema social para uma área afastada do centro urbano. Criou-se o conjunto habitacional Agamenon Magalhães, com a segregação do espaço, removendo os favelados, e criando condições de sobrevivência dessas pessoas nesse novo espaço higienizado.

A construção do Conjunto Agamenon Magalhães foi uma tentativa de organização de uma comunidade semi-independente do centro da cidade.

A remoção das favelas Ilha das Cobras e Curral do Bomfim foi de uma iniciativa do “Serviço de Recuperação Social” criado e dirigido pelo ilustre médico sanitarista doutor Walter Cardoso, durante o Governo de Arnaldo Garcez.

Participaram também dessa empreitada Clóvis Mozart Teixeira, Aloísio Campos e Geny Gujot.

O “Serviço de Recuperação Social”, segundo o seu criador, “tinha por finalidade corrigir as deficiências dos indivíduos ajustando ou reajustando pessoas dentro dos seus quadros sociais, promovendo meios para que cada criatura pudesse realizar o aperfeiçoamento de sua personalidade, orientando-se rumo a felicidade.”

Em 27 de março de 1953 foi inaugurada a primeira etapa do conjunto Agamenon Magalhães. Inicialmente foram construídos o Centro Social Don Fernando Gomes, o grupo escolar José Rollemberg Leite, o posto médico Walter Cardoso, lavanderias públicas, o campo de futebol Adolfo Rollemberg e noventa casas.

No ano seguinte a obra social foi completada com mais a construção de uma escola vocacional, o artesanato Coelho e Campos, um gabinete dentário, um campo de basquetebol e voleibol e mais cem casas.

O Conjunto Agamenon Magalhães, foi um modelo de obra sanitária. No inicio, abrigava duzentas e quarenta e sete famílias.

Antonio Samarone.

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