O lado bom da quarentena... (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 08 de Abril, 2020 - Atualizado em 08 de Abril, 2020

 


O isolamento aumentou a saudade de alguns amigos. Ontem, eu liguei para Carlos Alberto Menezes, a quem todos só chamam pelo nome completo. O “Charles” já vive em quarentena, não gosta das badalações sociais. Não vive nos salões.

Carlos Alberto Menezes é um dos últimos juristas da terra de Gumersindo Bessa e Tobias Barreto.

Uma pena. Pela cultura, pela inteligência, pelo humor, pelo bom caráter, deveria existir uma lei obrigando Carlos Alberto Menezes frequentar a sociedade. Pelo menos visitar os amigos.

Nem precisava uma lei, bastava um decreto de qualquer Prefeito.

Foi esse o principal motivo da minha ligação. Eu queria saber se os Prefeitos podem mesmo obrigar as pessoas a ficarem em casa, impedir o direito de ir e vir. Se os Prefeitos possuem, pela Constituição, esse Poder Imperial.

Depois de uma breve aula, cheia de erudição, Carlos Alberto Menezes disse-me que podem. Nesse momento de atribulações, os Prefeitos podem quase tudo.

Eu me toquei, que pergunta besta, sempre foi assim.

Em minha infância, Euclides Paes Mendonça, o chefe político em Itabaiana, mandava os desafetos para casa a hora que ele bem quisesse e entendesse.

Certa feita, Euclides cismou com Dedé Cachaça, um adversário político. Ainda cedo, no comecinho da noite, Euclides disparou: “vá prá casa, molequinho, vá dormir!”

Dedé Cachaça, revoltado, foi para casa e botou um tamborete no quintal. Ficou sentado a noite toda, sem dormir. Ainda “parrou”, era bom, eu obedecer...

Antonio Samarone.

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