No Brasil, a Pandemia continua soberana. (por Antonio Samarone).

Antonio Samarone, 25 de Abril, 2020


A filosofa alemã Carolin Emcke fez um alerta: “A pandemia é uma tentação autoritária que convida à repressão, à vigilância totalitária baseada em dados digitais, à regressão nacionalista. Ou ao cálculo darwinista que coloca um preço na perda dos corpos mais velhos, mais frágeis e menos treinados.”

O bate-boca entre o Presidente da República e o seu Ministro foi repugnante. Realçou a força do autoritarismo no Brasil. Acusações mútuas. E o mais graves, os dois pareciam falar a verdade. Para completar, a oposição não disse nada de relevante, até agora.

Não vejo o pós Pandemia no Brasil com esperança.

No cenário da fala do Presidente, duas imagens intrigantes: Guedes era o único mascarado. Logo ele, o Posto Ipiranga, o pai da destruição do estado brasileiro e dos seus programas sociais. Por que só ele escondeu a face, a cara do mercado?

Não me venham com a bobagem que a máscara de Guedes era por causa do coronavírus.

O Comando Militar do Governo apresentou recentemente uma proposta keynesiana de investimentos públicos, requentaram o PAC da Dilma. O famoso mercado já reagiu. O PAC de Bolsonaro (ou de Dilma) é incompatível com neoliberalismo radical de Guedes.

A segunda imagem foi a do Ministro da Saúde, ao fundo da cena: sonolento, distante, macabro, parecia um fantasma de circo. A face é o espelho da alma. Nelson Teich é uma assombração.

Perdi até a esperança na recuperação do SUS, Bolsonaro nomeou um carrasco.

O Observatório Covid-19 BR, que reúne especialistas de 7 instituições e mede 'velocidade' da doença no país, informou que Curva de mortes no Brasil está mais rápida que a da Espanha, e que sem medidas de isolamento, as cidades brasileiras correm risco de repetir a situação da Europa e dos EUA.

O Brasil está perdendo a guerra para a Peste.

O Prefeito de São Paulo, Bruno Covas, anunciou em entrevista coletiva: a abertura de 13 mil covas, a contratação de 220 coveiros, a aquisição de 32 carros para a frota do Serviço Funerário, a compra 38 mil novas urnas funerárias (caixão), de 15 mil sacos reforçados para transporte dos corpos e de 3 mil equipamentos de proteção para os funcionários dos cemitérios.

Enquanto isso, em Sergipe, os negacionistas continuam minimizando os estragos da Peste.

Uma liderança provinciana do movimento disse-me com uma certa arrogância: “até agora só morreram 8 pessoas em Sergipe, isso não é nada, morrem mais de acidente de moto num final de semana.”

Verdade: a estupidez não tem limites!

Antonio Samarone.

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