A Tragédia sem Limites. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 05 de Junho, 2020 - Atualizado em 05 de Junho, 2020

 

Em Sergipe a foice da Pandemia alcançou 186 pessoas e 23 aguardam na fila, a confirmação do laboratório. 150 pessoas com a covid – 19 estão internadas nas UTIs sergipanas. No Brasil, chegamos a 34.160 óbitos. Só ontem morreram 1.504 pessoas.

Caminhamos silenciosamente para uma tragédia profunda!

Infelizmente, a sociedade naturalizou a Peste, se acostumou, deixou de prestar a atenção. A morte faz a sua colheita livremente.

E ninguém será responsabilizado?

“Não há memória que o tempo não apague” – Dom Quixote.

No Brasil, o comercio começou a abrir. Em Sergipe as autoridades estão perdidas. Nem andam, nem desandam. O isolamento social continua uma grande simulação.

Em Aracaju o isolamento social acabou. Na última quarta-feira, dia 03/05, a cobertura foi de apenas 39%. Como se sabe, o isolamento necessário para reduzir a velocidade da transmissão seria de 70%. Uma grande encenação.

Um deputado da base governista pediu o lockdown. O Comitê Científico do Nordeste também pediu, mas acho que se arrependeu. Hoje, lockdown em Sergipe seria uma viagem no escuro. Mais uma encenação.

O coronavírus é muito recente e ainda se sabe muito pouco sobre ele. Quem parar de estudar se desatualiza de um dia para o outro, e começa a falar bobagem.

A China fechou tudo, porque naquele momento era uma doença totalmente desconhecida, e eles tem o controle sobre a população. O isolamento social foi a medida para atacar o que não se conhecia.

Nó início, só existiam dois caminhos para o enfrentamento da Pandemia: lockdown (isolamento social de 70%) ou herd immunity (imunização de rebanho). Os caminhos da Correia do Sul e do Japão não são reproduzíveis.

O epidemiologista Neil Ferguson, do Empire College London, o “Professor Lockdown, foi quem convenceu Boris Johnson a abandonar a estratégia conhecida como herd immunity (imunização de rebanho) e a declarar o confinamento obrigatório, para não sobrecarregar o serviço nacional de saúde britânico.

A Suécia insistiu na imunização de rebanho, com resultados desastrosos.

Hoje, com as novas descobertas sobre a propagação do coronavírus, o Empire College London já aconselha outros alternativas.

Vamos entender?

Estudos recentes sugerem que a maior parte dos casos de propagação do vírus Sars-Cov-2 foi gerada por um número reduzido de indivíduos. Essa descoberta pode contribuir para uma abordagem mais direcionada no combate à covid-19.

Apenas 10% dos infectados podem ser responsáveis por 80% das infecções.

São os Super disseminadores! São esses infectados que contaminam um número especialmente alto de pessoas. Esses focos de infecção foram detectados em todo o mundo.

Há sinais crescentes de que o agressivo vírus Sars-CoV-2 não é apenas transmitido por gotículas, mas também por aerossóis, que permanecem no ar por mais tempo do que as gotículas, que são muito mais pesadas, especialmente em salas estreitas e com pouca ventilação.

Por isso o risco elevado dos elevadores.

Investigações sobre os chamados eventos de super disseminadores também mostraram que esses aerossóis se espalharam significativamente através de quem fala alto ou grita no bar, na discoteca ou mesmo em ginásios esportivos, nos cultos da igreja ou nos coros. Algumas pessoas também emitem significativamente mais aerossóis do que outras.

São informações recentes. Não se sabia disso, quando se decidiu pelo isolamento social.

O Ministro da Saúde com cara de sono, falava muito em testagem, que precisava testar todo mundo. Mas parava por aí. Tinha ouvido o galo cantar e não sabia onde.

Agora com o General, a coisa desandou de vez!

Essa estratégia de prevenção direcionada para a identificação, isolamento e controle dos super disseminadores e dos seus contatos exige uma ação de testagem em massa da população. Testagem dos profissionais de Saúde, dos idosos isolados em asilos, de grupo profissionais mais expostos, das forças de segurança. Testagem frequentes e repetidas.


Em Sergipe, até 04/05, o laboratório do Estado só tinha realizado 22.109 exames, sendo 14.181 PCR e 4.790 testes rápidos. É pouco, muito pouco, é quase nada!

A testagem em massa, acompanhada das medidas de higiene, do uso obrigatório de máscaras, da proibição de eventos em locais fechados sem o devido distanciamento, e da proibição de aglomerações, seriam eficazes para limitar a velocidade de propagação da doença.

Ocorre que o Brasil possui a menor taxa de testagem do mundo, e não existem sinais de mudanças. Caminhamos nas trevas e na desinformação.
Não sabemos nem quantos estão contaminados, muito menos quem são. Pode ser qualquer um.

Portanto, a abertura do comercio nessa realidade brasileira vai significar a livre exposição, a “herd immunity”, com consequências conhecidas. Ou seja, caminhamos para uma desgraça.

Espero que um dia essas autoridades sejam responsabilizadas.

Antonio Samarone.

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