O Estatuto do Mau Político III

Manoel Moacir, 25 de Agosto, 2018

O Estatuto do Mau Político III

Moacir Costa Macêdo

“O Brasil está navegando, perigosamente, em um oceano de corrupção, com o barco em águas revoltas. Estamos fazendo essa funesta travessia que pode significar a derrocada das instituições”. A afirmação é do renomado constitucionalista e prêmio Ruy Barbosa do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, Paulo Bonavides, ao analisar a crise pela qual o País vem passando. "Essa minoria congressual está pondo em grave risco a inteireza das instituições do país em razão do mergulho na corrupção, na desconsideração do interesse público, no nepotismo, na ignorância e desprezos aos cânones da Constituição, promovendo um processo de desagregação e degradação do sistema representativo".

Segundo o professor Paulo Bonavides, os últimos acontecimentos são graves indicativos de que o País afundou na crise constituinte. "Esta crise significa uma erupção institucional que compromete por inteiro o porvir da democracia representativa deste País". Para o jurista, os mandatários da Nação, devem ouvir o rumor das ruas e buscar redirecionar o País para o respeito à Constituição que tem a chave e a fórmula para todos os problemas. "A responsabilidade é máxima, é extrema do Presidente da República, do Presidente do Senado e do Presidente do Supremo Tribunal Federal, como guarda da Constituição e como cabeça do Poder Judiciário”. Diz o Estatuto do Mau Político:

Artigo Décimo Segundo: Diga com quem andas e direi quem és

  • 10 – Os semelhantes se atraem, se protegem, e se complementam;
  • 20 – Seja membro titular da bancada do lixo, do bingo, e do jogo do bicho;
  • 30 – Esteja ausente do plenário, e das comissões de interesse da sociedade;
  • 40 – Participe da comissão de orçamento para garantir as emendas individuais;
  • 50 - Aceite a suplência da comissão de ética, será útil na defesa do mandato.

Artigo Décimo Terceiro: Quem acorda cedo deus não ajuda

  • 10 – Não participe de aparições públicas, permaneça no gabinete, e nas bases;
  • 20 - Agende os compromissos à noite, acorde tarde para parecer que trabalhou;
  • 30 - Não divulgue a agenda, o seu trabalho ocupa dois dias e meio da semana;
  • 40 – Não declare os bens, eles estão em nome de laranjas;
  • 50 – O tempo na política é indeterminado, não existe a porta de saída.

Artigo Décimo Quarto: Homem falso, gente fofoqueira e político cortês, não confie em nenhum dos três

I – Conspiração, falsidade, e obstrução da justiça, são defesas dos maus políticos;

II – Nunca seja sincero, fale pouco, pareça enigmático, e desconfiado;

III – Saiba ouvir, não fale, essa é a máxima dos omissos e cúmplices;

IV – Qualquer denúncia, transfira imediatamente para os outros;

V – Contrate assessores em informação, para preparar dossiês dos adversários.

Artigo Décimo Quinto: Minta, minta muito, e dirão que estará falando a verdade

I - Nunca fale a verdade, use a falsa retórica nos discursos com jargões e fetiches;

II - Sempre que for chamado para acareações, negue, não vi, não fui eu, e não sei;

III – A memória popular é frágil e volúvel, no curto prazo tudo será esquecido;

IV – Os escândalos se sucedem rapidamente, um esconderá o outro;

V – Os atos políticos e pessoais são protegidos por anistia e imunidade.

Artigo Décimo Sexto: Cobre caro, o que caro lhe custou

I – O mandato é caro, pague com as emendas, e o fundo partidário;

      II – Apoie as investigações nos fundos de pensão das estatais, eles têm recursos;

      III – Os suplentes são financiadores de campanha, pague com as licenças;

  IV - Os salários não cobrem a campanha, defenda o auxílio-paletó e moradia;

V – Apresente emendas para festas, jamais para saúde e educação.

Artigo Décimo Sétimo: Eu vim destruir a lei

  • 10 - Não respeite a lei, nem a justiça; crie os próprios códigos de conduta;
  • 20 - As leis foram feitas para serem descumpridas;
  • 30 – Somente cumprem as leis os pobres, e os otários;
  • 40 – O jeitinho será a sua lei, e a sua ética;
  • 50 – No final tudo terminará em pizza.

Não é admissível, nem razoável num Pais continental, rico em recursos naturais, potencialidade empreendedora de sua gente, parque industrial moderno, livre de intrigas bélicas, étnicas e religiosas, abençoado pela natureza, ausência de desastres naturais, a exemplo de furacão, nevada, vulcões e desertos, competências científicas e tecnológicas, entre outras, apresentar índices vergonhosos de desigualdade e miséria. “Numa sociedade organizada sob o manto da cristandade ninguém deve morrer de fome”. Para Immanuel Kant: a vida em sociedade, é um “caminhar ereto, sair do estado de menoridade [e] tentar estabelecer o uso correto da razão, o que faz sentido e o que não faz sentido dizer [e fazer]”.

Manoel Moacir Costa Macêdo

PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

O que você está buscando?