AGROBIODIVERSIDADE por Manoel Moacir

Manoel Moacir, 30 de Março, 2019 - Atualizado em 29 de Março, 2019

Predomina na sociedade o consenso sobre a conservação e uso da agrobiodiversidade. Uma atualidade mundial. O protagonismo dos consumidores por alimentos saudáveis, a perda da diversidade genética e as questões ambientais definem um novo padrão na produção de alimentos. Desafios postos à produção agropecuária, quanto a saúde dos produtores, valorização das variedades locais, segurança e soberania alimentar das comunidades rurais.
A diversidade genética das espécies vegetais, é de fundamental importância às mudanças climáticas, aos estresses bióticos e abióticos, e à agrobiodiversidade. Os processos produtivos agropecuários devem examinar com acuidade a perda genética das variedades locais, necessárias ao melhoramento genético e as combinações gênicas. Elas permitem os usos específicos de genes com valores particulares, estratégicos e imediatos das investigações. A perda de genes dessas espécies, revela-se como um irreversível desastre. A erosão genética das espécies cultivadas, e, em adição a perda de genes e do conhecimento autóctone, provoca a chamada “erosão do conhecimento”.
Novas práticas podem contribuir para a construção de um ambiente agrícola sustentável, na elevação de renda e na agregação de valores ambientais e sociais, criando as bases para a soberania alimentar dessas populações nativas, e autonomia na produção das suas próprias sementes, insumo estratégico do processo produtivo. A crescente perda da biodiversidade e o descuido com a conservação dos recursos biológicos, mereceu a atenção da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que aprovou o “Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e Agricultura”. O Brasil é um dos seus membros.

Debates e proposições tem sido pautados em parceria com as organizações sociais locais. Destaque para a “Política Nacional sobre a “Mudança do Clima (PNMC) e a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), políticas públicas que requerem para o seu êxito, fundos de fomento adequados, para garantir o fortalecimento e ampliação das ações de pesquisa da agrobiodiversidade. Uma visão que ultrapassa a lógica mono disciplinar da produção e consumo.
Recomendações estão colocadas para a conservação e uso sustentável da agrobiodiversidade, promoção sustentável dos recursos fitogenéticos e novas práticas nos sistemas produtivos. Os signatários do referido Tratado, devem “elaborar políticas agrícolas que promovam o desenvolvimento e manutenção dos diversos sistemas de cultivo; fortalecer a conservação da agrobiodiversidade para as atividades de pesquisa e benefício dos agricultores”. Por esses meios, os sistemas produtivos locais, “geram e adotam as suas próprias variedades, em acordo com os princípios ecológicos, manutenção da fertilidade do solo e combate às doenças, ervas daninhas e pragas”. Com isso, promove-se o desenvolvimento de variedades adaptadas às condições sociais, econômicas, antropológicas e ecológicas dos sistemas produtivos locais, propugnando na produção de alimentos livres e independentes de insumos químicos.
Os sistemas de produção de base ecológica, protegem a agrobiodiversidade, fortalecem a autonomia dos produtores rurais, diversificam a dieta das populações a partir de produtos sazonais, e criam cultivares mais eficientes e menos exigentes em insumos, portanto, mais sustentáveis. Ademais, as substituições tecnológicas, reduzem as emissões de gases de efeito estufa por unidade de produção, diminuem a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos, fortalecem a agricultura familiar e combatem a fome e a pobreza.

Altair Toledo Machado e Manoel Moacir Costa Macêdo
Engenheiros Agrônomos

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