MATADOUROS MÓVEIS Por Manoel Moacir

Manoel Moacir, 20 de Abril, 2019 - Atualizado em 20 de Abril, 2019

A população sergipana aguarda as soluções para a crise do abate de animais e da comercialização de carnes e subprodutos. Os matadouros municipais estão interditados. As consequências atingem pecuaristas, trabalhadores, consumidores, e prefeituras. Em resumo, abrange um conjunto expressivo de atores dessa estratégica cadeia de valor.

Em acordo com a legislação ambiental e da saúde, os matadouros municipais estão interditadospara os abates, assim como a intensiva fiscalização do comércio de carnes nas feiras livres. Nenhummatadouro municipal está em funcionamento. Apenas dois matadouros privados estão em atividade. As interdições advém de ações do Ministério Público Estadual e dos órgãos estatais de defesa sanitária no cumprimento dos seus deveres e imperativos legais.

O abate nos matadouros, exige o atendimento de normas com o meio ambiente, tratamento de resíduos, saúde e sacrifício dos animais, e o manejo da carne e subprodutos. Exigências que buscam garantir a apropriada comercialização e consumo da carne, e cuidados com os animais e o ambiente. Uma sensível cadeia com ampla repercussãocomercial e social. As interdições trouxeram perda de renda, em particular para elos mais frágeis da cadeia, a exemplo dos magarefes e tratadores. Também onerou os consumidores. Estima-se que quinze mil famílias sobrevivem do funcionamento dos matadouros municipais, nos chamados arranjosprodutivos locais. Uma dura realidade, em tempo decrescente desemprego e crise econômica.

Essa dolorosa realidade, exige iniciativas dos poderes públicos, para proibir a venda clandestina de carnes, o aprofundamento do desemprego e da renda, e possíveis doenças na população, em razão do consumo da carne e dos subprodutos sem os cuidados sanitários. A Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe - ALESE, em recente iniciativa, encaminhou entre outras, a seguinte proposta para apreciações: os “matadouros móveis e modulados”, adaptáveis aos abates municipais de bovinos, ovinos, caprinos, suínos e aves. Matadouros com módulos de três, seis e doze metros, que permitem combinações entre eles.

A iniciativa, recorreu à inovação tecnológica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA. O qualificado, experiente e competente pesquisador Élcio de Figueiredo da Embrapa Suínos e Aves, em palestra para os deputados, organizações afins, dirigentes, imprensa, convidadose interessados, apresentou a experiência exitosados “matadouros móveis e modulados”. Não se trata de um protótipo, mas de uma tecnologia transferida e comercializada no mercado, e adotada em alguns estados brasileiros, a exemplo de Minas Gerais e Paraná. Eles podem ser fixos ou itinerantes, conforme as demandas dos municípios. Para Figueiredo “as cidades que possuem abatedouros são cidades ricas”. Uma advertência para a realidade estadual, onde os municípios carecem dos seus matadouros em pleno funcionamento.

Os matadouros móveis e modulares, exigemmodestos investimentos para implementação e finalidade: um cercado de um hectare para acomodar uma base física, isto é, a plataforma de concreto; um curral para descanso dos animais; uma lagoa de tratamento de resíduos; e os módulos. Não são recursos vultosos para arranjos de “Consórciosde Municípios”, “Cooperativas”, e “Parcerias-Público-Privadas”.

A atualidade exige dos gestores públicos iniciativas simples, honestas, baratas, acessíveis,que atendam às demandas da sociedade onde as pessoas vivem e trabalham. O esperado é executar bem e barato. Recursos existem, fogem criatividade e capacidade para alcançá-los. O problema foi identificado e as soluções apresentadas. Agora, é a vez da tomada de decisão, em face da urgência e utilidade.  

Manoel Moacir Costa Macêdo

Engenheiro Agrônomo, PhD pela University of Sussex, Brigthon, Inglaterra

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