AS HUMANIDADES NA PÓS-MATERIALIDADE por Manoel Moacir

Manoel Moacir, 18 de Maio, 2019 - Atualizado em 14 de Maio, 2019

Não é recente que a complexidade da vida na Terra intriga a ciência. Perguntas como de “onde vimos e pra onde vamos”? eexistem outras vidasinteligentes além da terrena”? provocam polêmicas e dúvidas. Elas, não estão na agenda do método científico positivista, lastreado na repetição e limitado pelos cinco sentidos. Normalmente, asrespostas, não acolhem, nem o consenso, nem asgeneralizações.

Estudos contemporâneos, desenvolvidos por cientistas transdisciplinares, outra forma de enxergar as interações entre as ciências, trazem alentos às prováveis respostas para essas questões, acrescidos de fatos pós-materiais”, acolhidos pelo“mantra do sobrenatural. Não se trata de exploraras questões cruciais da vida pela religiosidade e fé, nem desprezar as advertências para desvendar a natureza. Urge formular perguntas, respostas e abstrair consequências, na perspectiva da “ciência pós-material”, do berço que nos acolheu, ao túmulo que nos aguarda.

Cientistas das áreas formais do conhecimento, propõem estudar o ser humano, na pluralidade biológica, psicológica, ecológica, social e emocional, a partir da observação da complexidade universal edescortinos da vida. Novas inspirações prospectam a diversidade na plenitude sideral, cósmica, evolutiva e energética, entre outras identidades. Explicações são bem vindas, além das oriundas damonodisciplinaridade reducionista do método científico. Não existe, na história da humanidade, uma civilização baseada exclusivamente na materialidade.

Em mais uma recente e inovadora iniciativa, o movimento espírita sergipano, promoveu as“Jornadas de Cultura Espírita”. Não foi um evento da chamada “ciência dura”, tal qual o “Encontro sobre Ciência e Mediunidade”. Não foram discutidos a “fisiologia da mediunidade; as redes neurais funcionais; a experiência de quase-morte; os estados alterados de consciência e o modelo organizador biológico”. Não foram demonstrados os novos papéis da glândula pineal, nem as descobertas da física quântica, da assinatura cerebral e da transe mediúnica”; mas, as expressõessuaves do cotidiano, codificadas pelaciência das humanidades na pós-materialidade”.

A pauta das “Jornadas, abrigou as revelações do humanismo, da sociabilidade, e das relações com o desconhecido. Um caminhar da ciência humana, perante o mistério da vida. Destaque para a visão do “belo para o bem; do canto com amor; da luminosa geografia da reencarnação; da bem aventurança da causa e efeito; da meditação como equilíbrio e harmonia; da dança, da música, do cordel, do cinema, da literatura, da hermenêutica, do ver, ouvir, e sentir o viver. Uma nova perspectiva, além damaterialidade dos sentidos, na direção evolutiva da transição planetária. A natureza surpreende com harmonia, equidade, e elegância.

Uma “Jornada de múltiplas emoções, iluminadapor pessoas, que em seus labores profissionais eespirituais, abraçam os princípios da unicidade religiosa, filosófica e científica. Uma fé raciocinada e livre de dogmas e ritos. Uma mistura de sons, cores,vozes, corpo, alma, dores, sofreres e consolo, nas variadas dimensões. Esclarecimentos e testemunhos eloquentes mostraram astransformações existenciais, dos instintos, aos sentimentos. Tudo isso, para enriquecer a condição humana no planeta de “provas e expiações, na rotada regeneração”. A sucessão de existências, poruma vida melhor, livre do orgulho, da vaidade, do egoísmo, e das injustiças.

Manoel Moacir Costa Macêdo

Engenheiro Agrônomo, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

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