SÃO FRANCISCO

UM SANTO DA ATUALIDADE

Jerônimo Nunes Peixoto, 04 de Otubro, 2019 - Atualizado em 04 de Otubro, 2019


SÃO FRANCISCO DE ASSIS NA ATUALIDADE

 

A Europa cristã do século XII vivenciava uma cristandade empalidecida pelos arroubos do poder temporal. Ser homem de igreja (hierarca) equivalia a ser um ilustre integrante da Nobreza, com direito aos mais requintados ambientes de promiscuidades econômicas, sociais e afeitas à sensualidade.

Em nome da arrogância desmedida, travestida de Cristandade, campeou a morte de inocentes e/ou rivais do poder político e econômico, para se realizar poderoso império de exploração econômica e de imposição de uma lógica completamente desconectada da fé cristã. Inúmeras injustiças ensejaram um anticristo dentro da instituição que teve e tem o papel de anunciar e de testemunhar a fé no Crucificado Ressuscitado.

O Papa, os bispos e os demais integrantes do chamado Alto Clero agiam motivados pelos desejos de engrandecimento de fortunas e de influência política. A Igreja era mais senhora de terras que determinava a ação dos monarcas do que anunciadora dos ideais de Cristo Jesus. Ter fé e ser pagão faziam pouca diferença, ao menos para a maioria dos chamados homens de igreja. Claro! Havia exceções! Do contrário, a Igreja não teria escapado a essa nódoa de enfermidade e de tibieza espirituais.

Em diversos monastérios havia intensa vida espiritual e litúrgica, nutridas por uma espiritualidade voltada para um autêntico serviço à ciência, à cultura e aos pobres que, em geral, cercavam os conventos e mosteiros, à procura do que comer, visto não haver qualquer assistência social pública. Esta ficava a cargo da “caridade cristã das ordens religiosas”.

É nesse contexto que surge, na cidadezinha de Assis, uma nova maneira de ser cristão, atada a uma radicalidade evangélica, pela via da pobreza. O Filho de Pietro di Bernardoni e de Picca, em praça pública, desfaz-se dos artefatos que pertenciam à família de burgueses, para, desnudado totalmente, encampar uma outra face da Igreja: ser página viva do evangelho.

Em pouco tempo, uma multidão decidiu segui-lo e ele, forçosamente, teve de criar uma Fraternidade de irmãos, cuja única regra a ser seguida seria o evangelho de Cristo. Seu principal intento era tornar-se irmão de todos: da mãe terra, do sol, da lua, das fontes e nascentes, do ar, dos pássaros, dos animais, das feras, do ser humano! Eis a grande lição: encontrar-se com a Natureza, chamando-a “minha irmã”, numa cabal demonstração de personificação da Obra que o Pai de todos criara, para servir à humanidade, e não para ser explorada pela humanidade.

A espiritualidade franciscana é hoje referência para os crentes e não crentes, para os cientistas, racionalistas e empiristas, pela vultuosidade de sua proposta: cuidar de todos! Esse é o espírito das palavras do Gênesis1,28: “sede fecundos! Multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem pelo chão”.

Não se trata de uma autorização legal para a exploração e enriquecimento ilícito, mas de uma orientação para o convívio harmônico com a “Mãe Natureza”, fazendo dela uma pessoa, sujeito de direitos e de deveres. De todas as iniciativas do Santo de Assis, o cuidado com a Natureza foi a mais inspiradora e a mais atual.

Cuidar do ser humano é proteger a Natureza, e o Papa Francisco, inspirado no Irmão da Vida, em boa hora, reúne a Igreja para o sínodo sobre a Amazônia, com uma preocupação especial de garantir a sobrevivência das futuras gerações.

Que São Francisco nos ajude a discernir sobre a via mais apropriada para o nosso relacionamento com a Natureza que, aliás, jaz em total desespero, clamando por nossos gestos de carinho e de e ternura. Sejamos todos franciscanos!

                                               Jerônimo Peixoto

 

 

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