A SERRA DA MINHA TERRA

Jerônimo Nunes Peixoto, 16 de Otubro, 2019 - Atualizado em 16 de Otubro, 2019

A SERRA DA MINHA TERRA

Ao longe, vejo-te, como se te quisesses mostrar aos transeuntes, espargindo a sensualidade de quem se inclina para sussurrar os ouvidos uma declaração de amor. Não ficas invisível aos olhos de quem transita pelas plagas sergipanas.

Sempre bela, admirável e desejada! De um extremo a outro, é possível te enxergar, com tuas curvas exuberantes e igualmente atraentes. Do Litoral, notam-se tuas costas desnudas, com linhas leves e discretas, mas com a demonstração de intrepidez que te é peculiar. A ideia é a de que te debruças sobre os povos que vivem na região, para lhes dizer como é grande o teu amor. Tem-se a impressão de que para além de ti nada mais há; serias o ponto que une a terra ao céu!

Do sertão, os olhares se deparam com um corte íngreme, e quase em ângulo reto, como se uma edificação dos deuses sobre a qual estabeleceram sua morada, a fim de velar pela vila construída à sombra da quixabeira. Trata-se de uma visão límpida, através da qual transparece, sorrateiramente, o teu rosto sempre virginal, num misto de poesia e sedução, regada a bom frescor com que a natureza generosamente brindou os serranos. Imponente, parece que velas sobre a minúscula porção geográfica do Brasil, pondo-te bem ao centro, donde podes a todos ver, a todos seduzir com teus auspiciosos galanteios. Ninguém escapa à tua vigília!

Sempre adornada de magistral verdura, encantas a todos, com teu eterno convite a que se aproximem de ti. Ah! Altaneira bela! Quantos amores inspiraste, nesse vai e vem dos humanos que de circundam dia e noite! Quantos encontros de paixões acesas assististe! Viste quantos desfazerem-se, pelas frivolidades de cada época... E desde quando aí te fincaste, quantos sussurros proferiste aos corações juvenis fisgados de eternal paixão! Postura de uma madona sábia, de uma mestra que guia, de uma donzela que encanta, de uma sábia que acolhe...

Certamente, já te confessaram erros e desilusões, fracassos, no amor e na profissão. Mas, de igual modo, beijaram-te, numa declaração confidente de infinito amor. És bela! És esplêndida! Companheira eterna dos passantes, dos apaixonados, dos que foram implacavelmente tragados pela edificante aventura de amar.

Para os mais místicos, porém, és a referência de quem aponta para o alto, onde a divindade estaria, em sua morada eterna! E, enquanto apontas, encantas, instigas, impulsionas à inesgotável e confortadora arte de amar. Só poderias ser a Serra da Terra querida, da velha Loba, que, desde os tempos de Ayres da Rocha, vive para o progresso, as letras e o amor.

Jerônimo Peixoto

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