SANTO ANTÔNIO E AS SOLTEIRAS INSATISFEITAS

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 18 de Junho, 2020 - Atualizado em 18 de Junho, 2020

SANTO ANTÔNIO E AS SOLTEIRAS INSATISFEITAS

  • As solteiras de Ita
  • Estão muito esquisitas,
  • Querendo judicializar.
  • Acionaram Santo Antônio,
  • Que ofereceu matrimônio,
  • Para elas desencalhar.

 

  • O Santo pediu a entrada,
  • E elas, desesperadas,
  • Não puderam negar.
  • Estavam, pobrezinhas,
  • Tão assanhadinhas,
  • Só pensando em se casar!

 

  • Mas, com a pandemia,
  • A sorte delas mudaria:
  • Não houve casamento!
  • Elas se desesperaram
  • E ao Santo cobraram
  • Todo o adiantamento.

 

  • Ele, sempre bonzinho,
  • Disse: - um momentinho,
  • Que vou ver o que faço.
  • Elas, com grande estupor,
  • Disseram: - Meu senhor,
  • Tá vendo algum palhaço?

 

  • Nós vamos ao juizado,
  • Reze, bem ajoelhado,
  • E espere a condenação!
  • Onde foi que já se viu,
  • Aqui, no nosso Brasil,
  • Santo com enganação?

 

  • - Meninas, não foi assim!
  • Olhem bem para mim:
  • Tenho cara de caloteiro?
  • Vocês não veem a correria,
  • Para ajudar na pandemia?
  • Eu sou o seu Padroeiro!

 

  • - Meu Santo, trato é trato;
  • Mas, no momento exato,
  • Não veio o casamento.
  • Bote as mangas de fora,
  • Fale com Nossa Senhora,
  • Para ver o regulamento!

 

  • Aonde nós vamos parar,
  • Mais um ano sem casar?
  • Estamos todas fumaçando!
  • Já rezamos três Rosários,
  • Mas não foi o necessário,
  • O fogo está aumentando!

 

  • - Eu tentei lhes avisar
  • Que o plano podia mudar,
  • Havendo caso fortuito.
  • Vocês nem me ouviram,
  • De repente se evadiram,
  • Não sei com que intuito.

 

  • - Olhe, exigimos respeito,
  • Porque procedemos direito,
  • Pagando com adiantamento.
  • Agora, aqui, nós exigimos:
  • Trate de mudar o destino,
  • Fazendo o nosso casamento.

 

  • - Meninas, eu sou um santo!
  • Vi uns homens pelos cantos...
  • Pensei que fossem os seus.
  • Mas não fiquem desesperadas,
  • Que eu as deixo bem casadas,
  • Eu juro perante meu Deus!

 

  • Depois, casamento assim
  • Tem sempre um lado ruim,
  • Pode até não dar certo.
  • A culpa é da pandemia;
  • A gente somente adia
  • Para um dia já bem perto.

 

  • - O Senhor fique sabendo
  • Que muito está nos devendo,
  • Se não casarmos este ano.
  • Poderemos retirar a causa;
  • Sendo somente uma pausa,
  • Se mantiver nossos planos.

 

  • - Obrigado, lindas moças,
  • Que Jesus Cristo as ouça
  • E lhes dê bons maridos.
  • Eu digo que já não aguento
  • Ser Patrono dos casamentos;
  • Já me sinto estarrecido.

  

  • Onde já se ouviu dizer:
  • Um Santo Antônio sofrer
  • Uma ação consumerista?
  • Reparem só que armada:
  • Essa gente mal-amada
  • Tornando-se oportunista! 

 

  • - O que o senhor resmungou?
  • Não acha que extrapolou
  • Com a sua reclamação?
  • Nós firmamos um contrato,
  • E não houve um distrato!
  • De quem é a exploração?

 

  • - Minhas meninas lindas,
  • Peço-lhes calma, ainda,
  • Para resolvermos o assunto.
  • Deixemos a justiça de fora,
  • Dou-lhes marido, na hora,
  • Antes de eu virar defunto.

 

  • - O Senhor devia saber isso:
  • Pelo defeito no serviço
  • Receberemos indenização.
  • A menos cumprindo o trato
  • Consignado em contrato,
  • Que assegura nossa condição.

 

  • - Não haverá responsabilização
  • Quando a culpa for do cidadão,
  • Por patrocinar o tal vício.
  • - Não me meto em vida alheia
  • Para mulheres assim, tão feias,
  • Marido bonito é desperdício.

 

  • - Agora, o Senhor nos ofendeu!
  • O nosso rosto empalideceu,
  • Por tamanho constrangimento!
  • Exigiremos uma majoração
  • Equivalente a esta humilhação
  • Sofrida aqui, neste momento.

 

  • A situação só se resolveu,
  • Porque Cristo Jesus Apareceu
  • E propôs uma boa conciliação:
  • -  O Santo não devolve o dinheiro,
  • Mas, no próximo mês de janeiro,
  • Eu conduzirei a celebração.

 

       Jerônimo Peixoto

 

 

As solteiras de Ita

Estão muito esquisitas,

Querendo judicializar.

Acionaram Santo Antônio,

Que ofereceu matrimônio,

Para elas desencalhar.

 

O Santo pediu a entrada,

E elas, desesperadas,

Não puderam negar.

Estavam, pobrezinhas,

Tão assanhadinhas,

Só pensando em se casar!

 

Mas, com a pandemia,

A sorte delas mudaria:

Não houve casamento!

Elas se desesperaram

E ao Santo cobraram

Todo o adiantamento.

 

Ele, sempre bonzinho,

Disse: - um momentinho,

Que vou ver o que faço.

Elas, com grande estupor,

Disseram: - Meu senhor,

Tá vendo algum palhaço?

 

Nós vamos ao juizado,

Reze, bem ajoelhado,

E espere a condenação!

Onde foi que já se viu,

Aqui, no nosso Brasil,

Santo com enganação?

 

- Meninas, não foi assim!

Olhem bem para mim:

Tenho cara de caloteiro?

Vocês não veem a correria,

Para ajudar na pandemia?

Eu sou o seu Padroeiro!

 

- Meu Santo, trato é trato;

Mas, no momento exato,

Não veio o casamento.

Bote as mangas de fora,

Fale com Nossa Senhora,

Para ver o regulamento!

Aonde nós vamos parar,

Mais um ano sem casar?

Estamos todas fumaçando!

Já rezamos três Rosários,

Mas não foi o necessário,

O fogo está aumentando!

 

- Eu tentei lhes avisar

Que o plano podia mudar,

Havendo caso fortuito.

Vocês nem me ouviram,

De repente se evadiram,

Não sei com que intuito.

 

- Olhe, exigimos respeito,

Porque procedemos direito,

Pagando com adiantamento.

Agora, aqui, nós exigimos:

Trate de mudar o destino,

Fazendo o nosso casamento.

 

- Meninas, eu sou um santo!

Vi uns homens pelos cantos...

Pensei que fossem os seus.

Mas não fiquem desesperadas,

Que eu as deixo bem casadas,

Eu juro perante meu Deus!

 

Depois, casamento assim

Tem sempre um lado ruim,

Pode até não dar certo.

A culpa é da pandemia;

A gente somente adia

Para um dia já bem perto.

 

- O Senhor fique sabendo

Que muito está nos devendo,

Se não casarmos este ano.

Poderemos retirar a causa;

Sendo somente uma pausa,

Se mantiver nossos planos.

 

- Obrigado, lindas moças,

Que Jesus Cristo as ouça

E lhes dê bons maridos.

Eu digo que já não aguento

Ser Patrono dos casamentos;

Já me sinto estarrecido.

 

 

 

 

Onde já se ouviu dizer:

Um Santo Antônio sofrer

Uma ação consumerista?

Reparem só que armada:

Essa gente mal-amada

Tornando-se oportunista!

 

- O que o senhor resmungou?

Não acha que extrapolou

Com a sua reclamação?

Nós firmamos um contrato,

E não houve um distrato!

De quem é a exploração?

 

- Minhas meninas lindas,

Peço-lhes calma, ainda,

Para resolvermos o assunto.

Deixemos a justiça de fora,

Dou-lhes marido, na hora,

Antes de eu virar defunto.

 

- O Senhor devia saber isso:

Pelo defeito no serviço

Receberemos indenização.

A menos cumprindo o trato

Consignado em contrato,

Que assegura nossa condição.

 

- Não haverá responsabilização

Quando a culpa for do cidadão,

Por patrocinar o tal vício.

- Não me meto em vida alheia

Para mulheres assim, tão feias,

Marido bonito é desperdício.

 

- Agora, o Senhor nos ofendeu!

O nosso rosto empalideceu,

Por tamanho constrangimento!

Exigiremos uma majoração

Equivalente a esta humilhação

Sofrida aqui, neste momento.

 

A situação só se resolveu,

Porque Cristo Jesus Apareceu

E propôs uma boa conciliação:

-  O Santo não devolve o dinheiro,

Mas, no próximo mês de janeiro,

Eu conduzirei a celebração.

 

       Jerônimo Peixoto

 

 

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