PADRE PEIXOTO, 35 ANOS DE SACERDÓCIO

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 24 de Julho, 2020 - Atualizado em 24 de Julho, 2020

PADRE PEIXOTO, 35 ANOS DE SACERDÓCIO

Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem do Rei Melquisedeque” (Hb 5,6)

No dia 26 de julho, o Padre Peixoto completa trinta e cinco anos de sacerdócio, uma vida inteira dedicada ao Evangelho de Cristo e às comunidades eclesiais, por onde passou, sob a forma de diversos serviços, como a formação sacerdotal, aulas de Bíblia em diversos seminários, o cuidado pastoral de inúmeras paróquias, programas televisivos, radiofônicos e, especialmente, a música cristã, que preenche o mais recôndito de seu ser. Sua grande paixão, porém, é a Eucaristia, de quem se faz exímio adorador, por gestos e atitudes, além de ser pio devoto de Nossa Senhora e de Santo Antônio.

Nestes tempos tão conturbados, em que a confusão de valores, qual avalanche descomunal, rechaça o espírito humano, tentando dissuadi-lo daquilo que é a essência do humano existir, impondo-lhe regras novas e alheias ao avivamento da fé, da esperança e do amor verdadeiro, ser padre é um grande desafio, posto que sua precípua missão é a de andar na contramão do que está posto como dogma sociocultural.

Não se trata de provocar choques acachapantes com o mundo concreto, no qual, a igreja se insere. Tampouco é ter a última palavra, na desconcertante ilusão de que se vive ainda sob o estigma de uma igreja “sociedade perfeita”, que se dá ao luxo de dizer o que serve ou o que não serve para a vida em sociedade. Enquanto presente no mar da existência e, enfrentando ondas revoltas, o papel da igreja é o de remar com as demais instituições, iluminando-as, no que for possível, com o esplendor do Evangelho testemunhado e vivenciado. Aliás, a única luz que guia e ilumina a igreja é Cristo, morto e ressuscitado, razão da existência da “eclesia” – assembleia convocada à Santidade.

O padre é, por conseguinte, convocado a se posicionar nessa linha tênue entre a convivência tolerante e a advertência quanto às transformações que lhe parecem necessárias. Sua presença, entanto, não pode ser a de um profeta do caos, de um exterminador, ou de um franco atirador, cuja verborragia desconhece a essência do Evangelho. “Gritar de cima dos telhados” é mais do que apontar falhas, ou fingir puritanismo que chega a fazer dó. Não! É ter o bom senso, o equilíbrio necessário àquele que é chamado por Deus a ser sinal de comunhão, perdoando, acolhendo, servindo, amando, chamando à reconciliação e à confraternização universal, inclusive com aqueles que não professam a fé da Igreja. Fazer-se discípulo missionário é fazer o mesmo que fez o Mestre de Nazaré, sem privilégios, sem honrarias desmedidas e inúteis e sem qualquer presunção. É isso que significa “ser outro Cristo”.

É por esse prisma que enxergo o sacerdócio do padre Peixoto. Ele é desprovido de verdades prontas, de receitinhas ínfimas, mas construtor de vias, de possibilidades, através do afeto, da acolhida generosa e destituída de envaidecimentos. Exímio biblista, reza e proclama a Palavra, com o sentido mais atual, para levar conforto, compromisso e alegria aos interlocutores. É homem da Esperança! Apaixonado Pela Sagrada Eucaristia, faz de sua vida uma oferta de suave odor a Deus, pelo serviço ao próximo, sendo sinal de partilha, de perdão, de expiação e de entrega incondicional ao Pai. Em suas pregações, vê-se, de forma cristalina, a presença do Amor do Bom Pastor, que não acusa, nem condena, mas acolhe, perdoa e transforma, pela generosidade. E isso foi uma marca registrada, ao longo de toda a sua caminhada sacerdotal.

Ao ensejo de seus trinta e cinco anos, já meio degastado pelo peso dos anos e da missão, mantém a mesma alegria, o bálsamo da sagrada Unção que o tornou, juntamente com a Imposição das mãos e a prece consecratória, sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, isto é, sacerdote para todo o sempre. Quantas alegrias ele já não proporcionou aos que estavam nos leitos de hospitais, no cárcere, nas cadeias da consciência, nas ilusões da vida? Quanto bem não fez aos que dele se aproximaram – ou dos quais se aproximou – com o coração sedento de paz, de sentido à vida digna e santa?

Daquele efusivo 26 de julho de 1985 para cá, a Igreja, a sociedade, a família, o Reino de Deus se alegraram muito mais, por sua entrega incondicional ao Projeto de Amor a Deus, tornando-se “Sal da terra e Luz do mundo”, dando tempero e luz a tantas pessoas. Rezo, e peço a todos que o façam, suplicando saúde, paz, alegria, afim de que ele continue semeando amor, ternura e vida divinos para todos com que convive e a quem é e for chamado a servir. Que nunca lhe faltem os favores maternais da Mãe de Nazaré, nem os sentimentos caritativos de Antônio de Lisboa! Que seu sacerdócio continue espargindo esperança, consolo e alento ao povo de Deus, que necessita de gestos concretos de amor, de serviço, muito mais do que leis e decretos. Parabéns, Padre Peixoto!

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