D. GLORINHA JÁ NA GLÓRIA

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 13 de Agosto, 2020 - Atualizado em 13 de Agosto, 2020

DONA GLORINHA, JÁ NA GLÓRIA!

Voz bem cadenciada, com dicção perfeita, frases bem articuladas, com requintes de quem é afeita à leitura constante. Veste-se decentemente bem, com modelos por ela mesma desenhados, cortados e costurados. Uma mulher prendada: cozinha, costura, borda, pinta, faz tricô e aconselha, encaminhando para o bem os filhos, os sobrinhos, os filhos dos sobrinhos, a vizinhança inteira. É um poço de doçura, bondade e sabedoria.

Na rua onde vive, partilha saberes e dons inumeráveis, conquistando os corações de crianças jovens, adultos e anciãos. Por onde passa deixa um rastro de amizade, prestativa que é. Zelosa, ponderada, dona de uma alegria imorredoura, está sempre de bem com a vida, com incrível habilidade para resolver os problemas, driblando os destituídos de solução.

Destemida, soube desde cedo encarar a existência com uma firmeza incrível, com uma disposição inigualável., não medindo esforços para encaminhar os filhos à gratificante aventura de aprender, de se formar, de se encaminhar a boas posições. Seu sonho não é grandioso, apenas é o de ver modestamente todos bem arranjados, com um lugar onde descansar e desfrutar da felicidade.

Na cozinha, na lavanderia, sem água encanada, à época, na máquina de costura, no bordado, no tricô, na confecção de escapulários (bentinhos de Nossa Senhora do Carmo), nos doces de encomenda, nas saias plissadas, ela se desvela, com o único fito de repartir, em família e com os de fora, o pão mirrado de cada dia. Apesar de tanto trabalhar, dia e noite, sem fim, seu rosto estava sempre iluminado por um belo sorriso que a distinguia das demais mulheres de seu tempo.

Este encanto de filha, irmã, mãe, esposa, tia, avó, bisa, vizinha, amiga e confidente não é de ferro. Também cansa, definha, adoece e se esvai, mesmo sem deixar de amar e de iluminar. Paulatinamente, começou a conhecer os limites próprios da idade, mas com a mesa aguçada memória, alimentada de leituras, de boas conversas eivadas de requintada sabedoria, com conselhos atuais e de uma enorme eficácia.

Aliás, seu nome – não o de batismo – mas o que ganhou desde tenra infância, e pelo qual se tornou conhecida e admirada, é consequência da Luz do Ressuscitado: Glória! Glória, termo usado para se homenagear a Deus, dando-Lhe toda a Honra d e todo o Louvor. Assim viveu Glorinha de Jeová, ou Glorinha de Zé de Norato, da Flechas. Depois, Glorinha, mãe de três competentíssimos médicos e de duas brilhantes profissionais da educação. Ah! Que glória!

Glorinha, pela condição franzina e pelo carinho terno com que sempre foi amada, é reflexo da Luz de Deus entre os humanos. Vida iluminada pelo fulgor eterno, haurido na Cruz do Calvário, mas resvalando para o Esplendor da Ressurreição. Assim foi sua vida: belo exemplo de transformar pranto em sorriso, cruz em ressurreição, libertando as pessoas das amarras da ignorância, das trevas da escuridão para a luz do saber.

Glória a Deus, Glória de Deus, Glorinha em Deus! A ela todo o nosso reconhecimento e gratidão. Nenhum de nós seria o que é, sem essa Glorinha que já chegou mostrando Deus, para darmos Glória a Deus. Um beijo, Tia Glorinha! Por sua Vida e Páscoa, Deus seja glorificado. Nós te amaremos, sempre e para sempre! Gloria de Deus! R.I.P.

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