À SERRANA BELA TODO O AMOR

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 28 de Agosto, 2020 - Atualizado em 28 de Agosto, 2020

À SERRANA BELA TODO O AMOR

Desde os idos das Entradas e Bandeiras, você se originou, numa tímida povoação de homens ávidos por preciosidades em prata e ouro. Sem saber, você nasceu vocacionada para ser majestosa, graciosa, eivada de um espírito ativo, que a faz diferente das demais urbes do Torrão sergipano.

A Igreja, a Coroa e os interesses econômicos marcaram presença no seu espaço, fincando a bandeira do progresso e de um desbravamento não encontrado em outra gente. Dos campos pastoris do passado aos mais refinados estabelecimentos comerciais, da atualidade, uma história de lutas intensas insanas, com vitórias e derrotas, com a chama da esperança de novos sonhos, de novas conquistas, de um destacado papel socioeconômico invejável. Fizera-se palco de atividade rurícola, para abastecer parte do Nordeste brasileiro.

Ah! Quantas reuniões segredaram a arquitetura de ideias revolucionárias, diretrizes de um porvir inquietante, sempre disposto ao inconformismo com a realidade! Quantas tramas foram urdidas em seu solo, como luminares de novos tempos para si e para todo o Sergipe Del Rey! Sanhas banhadas de sangue, dorsos esfolados, faces empedernidas pela amálgama de poeira, sol e vento, a delinear perfil novel, desfigurando-a de tenra infância para lhe imprimir feição de adulta apaixonada pelo fazer, pelo saber e pelo ter, sendo, entanto, a suso guia e referencial à demais aldeias sergipanas!

Contemplam-se mais de quatrocentos anos de história, com registros hilários como a lenda do santo que fugia à guisa de lhe oferecer o ponto central do estado, para uma melhor estadia, com ares de perpetuidade. Salta aos olhos a lenda do carneiro de ouro na serra majestosa que, durante anos, foi o ponto mais elevado de Sergipe. O terreno das almas, a pedra do rastro, os Poções da Ribeira, o Poço das Moças, o Tanque do Povo, o Parque dos Falcões, a Chegança Santa Cruz, o Circo de touro de Bezerra, o Carnaval do bloco de Fefi, o Presépio de Dona Dezi, os Nômades, a Filarmônica Nossa Senhora da Conceição, o Tremendão pentacampeão, os bailes na Atlética, as matinês do cine Santo Antônio, os Cultores da Flor do Lácio, o Murilo Braga – com seus doutos e renomados professores – as noites enlevadas de amor, na Praça da Matriz, nos infindáveis passeios após a missa, a religiosidade, a agricultura.

Mister lembrar a feira, o comércio alvissareiro, o ouro, os caminhões, além das figuras ilustres de Cecília Parteira, Dr.Pedro e Dr. Gileno, Oliveirinha, Thenysson da Farmácia, o Vapor de Joãozinho Tavares,  D. Deja, D. Dalula, Seu Abílio, Adelardo e Nivalda, Zaira, Aurelina, Fransquinho Barbosa, Zé Gordinho, Cajuzinha do Café, Zé Fernandes, Tonho Meu Irmão, Zé de Dona, Miguel de Chagas, Tonho de Chagas, Joãozinho Retratista, Romeu, Zé Mesquita, Arrojado, Miguel Peixoto, Ubaldo, Zé Torneiro, Chico da Mancinha, João Inácio, Tonho do Rosário, Totó, Zeca Araújo, Filadelfo, Joca, Anete Siqueira, Lafayete, Rosalvo Barbeiro, Ênio Araújo, Toinho Lima do bar, Toinho de Libânio, só para citar alguns que fizeram de sua terra um celeiro de negócios que entraram em suas veias, para mantê-la intrépida até hoje.

Ao ensejo de seus 132 anos honrando o título de cidade (e que cidade!), o devotamento de todo o amor que os ceboleiros nutrem por você, Itabaiana. Que seus dias, doravante, sejam de paz, de concórdia e de progresso, na serenidade de quem, a cada alvorecer, desperta para o enfrentamento da vida, pelo trabalho digno e honroso. Parabéns, Serrana Bela!

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