SOMOS TODOS IGUAIS EM DIGNIDADE

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 20 de Novembro, 2020 - Atualizado em 20 de Novembro, 2020

SOMOS TODOS IGUAIS EM DIGNIDADE

 

Nós, seres humanos, somos muitos e de diversas etnias, com tons de pele variados e originários de diversos ambientes. Isso não diz nada sobre o caráter, a personalidade de cada um. Às vezes, pensamos ser mais importantes, por nos considerarmos mais bonitos, mais inteligentes, simplesmente pelo fato de as oportunidades terem sido mais afortunadas para nós do que para outros, que não tiveram a mesma sina.

Nosso País, notadamente miscigenado, mas extremamente preconceituoso, insiste em afirmar a supremacia de uma raça, de uma cultura, herdada do Velho Continente, cujo objetivo maior foi o de “conquistar” outros povos, impondo-lhes pesados fardos sob o signo da civilidade, que vinha acompanhada da falsa ideia de religião cristã do tipo católica. Aqui, fala-se em “pessoas de família”, de “linhagem”, da “Sociedade”, como uma notória referência a uma supremacia em relação a quem é pobre, preto, índio.

Espalha-se facilmente a ideia de que quem é “da sociedade” age melhor, com ética, com responsabilidade, com retidão de intenção, como se fosse paladino da justiça. Na prática não é bem assim. Quem é ético, justo e reto não pode se comprazer com o sofrimento alheio daqueles que lhe são funcionários; não pode se alegrar por ver inúmeros analfabetos, semiescravos, trabalhando em condições análogas à escravidão; não pode ser indiferente à prostituição, ao tráfico, às manobras politiqueiras que encobrem enriquecimentos ilícitos. Isso não é ser superior, nem ter “sangue nobre”.

Convém notar que, em todas as camadas da sociedade, há gente de boa índole, de caráter, de retidão de intenção, e há gente má, perversa, que se alimenta do sangue inocente. Não se pode atribuir, aleatoriamente maldade a uma etnia e bondade à outra, simplesmente pela cor da pele, pelo grau de instrução, pelas largas oportunidades que uns historicamente têm, em detrimento de tantos!

Os colonizadores aqui chegados trouxeram a ideia de superioridade em relação aos autóctones, aos pretos trazidos da África, para a escravidão. Disseminaram a noção de que quem é nobre não deve trabalhar, porque o trabalho é da plebe, da ralé. Segundo essa concepção – já tradicional entre nós – as camadas sociais se estruturam a partir do trabalho. Quem assume o peso da lida, no campo ou na cidade, não pode prosperar, ascender, para se igualar à “nobreza” privilegiada. Quem é da cozinha deverá viver na cozinha. Quem é da senzala, na senzala. Privilégios somente aos privilegiados. É uma ideia ultrapassada, mas ainda desejosa de aplausos, nos dias atuais.

Pior é quando, entre iguais, há essa concepção acompanhada de comportamento discriminatório e impiedoso, capaz de impor aos pares canga assaz desumana. E como mudar isso? Pela espada, pela guerra entre as classes sociais? Pelo confronto, em que o uso da força gera desmantelos familiares e mortes em série? Obviamente, não! O remédio é uma educação de qualidade, voltada para os valores que nos igualam e nos garantem a dignidade, que nos irmanam, porque pertencentes a única raça humana. Mais do que emprego de força contra negros, índios, pobres e marginalizados, deve-se usar a força equitativa da educação, do respeito à diversidade, à tolerância. Todos merecem tratamento cordial, em qualquer situação.

No dia da consciência negra, é muito vergonhoso enxergar, nos noticiários, o massacre a um negro, numa empresa de renome. E tudo por mero preconceito e discriminação. Quando isso vai acabar? Até quando vamos assistir a esse espetáculo nefasto da truculência discriminatória? A quem interessa esse comportamento de pessoas pobres, em todos os aspectos?

É preciso erradicar essas atitudes desfavoráveis à confraternização humana e construir um mundo solidário, fraterno e acolhedor. Todos somos iguais, em dignidade e em possibilidades. Mas, infelizmente, isso ainda não saiu do papel. Não a toda espécie de preconceito e de violência. Não à brutalidade insana! Não a qualquer espécie de violência.

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