SANTA IRMÃ DULCE

Redação, 14 de Junho, 2019 - Atualizado em 14 de Junho, 2019

Manoel Moacir Costa Macêdo

A sociedade brasileira em sua imensa maioria é religiosa. Cristã na diversidade, mas, predominantemente católica. Nascida sob o sinal da cruz e bênçãos dos jesuítas portugueses. O primeiro edifício erguido na terra que iria se chamar Brasil, foi a “cruz de madeira”. No “coração do mundo e pátria do evangelho” as crenças religiosas, convivem pacífica e respeitosamente. Os nossos pecados não são divinos, mas humanos. Estamos condenados à salvação.

Para os católicos, maio, o “mês mariano” de louvores a “Maria, a Mãe de Jesus”. Alguns cristãos, cultuam não apenas como a “Mãe de Jesus”, mas, a “Mãe da Humanidade”. O mês de maio, alberga ainda, o “dia das mães”, na atmosfera cristã de amor, ternura, perdão, caridade e alteridade. Também se comemoram a “aparição de Nossa Senhora de Fátima”, o “dia da família”, e o “aniversário de falecimento do apóstolo dos espíritas: Allan Kardec”. Um mês “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

 Além dessas celebrações, o mês de maio, acolheu outra relevante comemoração: a “canonização de Maria Rita”. Anônima nessa identidade, mas sagrada, como “Irmã Dulce” Primeira santa brasileira e nordestina. A “madre Thereza do Brasil”. “O anjo bom da Bahia”. Uma fortaleza espiritual revestida na fragilidade carnal. Corpo frágil e pequeno. Caridade e alteridade superiores. Uma santa católica. Um espírito iluminado de primeira ordem. Uma serva dos deuses. Para o articulista Rangel da Costa, “Maria está aqui, está ali, está por todo lugar. Está como mulher vestida de sol e como mulher debaixo do sol.”.

“Maria Rita, Irmã Dulce, e Madre Thereza Brasileira”, unicidade na opção pelos pobres. Nascida em berço rico, renegou as bonanças transitórias da materialidade, inclusive o nome original, para atender ao chamado divino de “servir ao próximo”. Proporcionou na materialidade, alívio aos aflitos e necessitados. Acolhia sem distinção, quem o procurava em sofrimento e dor. No “Hospital de Irmã Dulce”, sempre havia um lugar para mais um desvalido. O acolhimento proporcionava alívio e proteção. Atendeu no plano espiritual, às súplicas de crentes na sua santidade, pelos milagres, ora reconhecidos. Para Alan Kardec: “o valor das pessoas, é medido por seus atos, por seus sentimentos, e não pela posição que ocupa.”

A sua história e vivência ultrapassam os limites estreitos da Bahia. Viveu no apostolado cristão, no “Convento de São Francisco” localizado na praça, tombada, como patrimônio da humanidade, na antiga e veneranda São Cristóvão, Sergipe. A sua humildade e grandeza não caberia em outro local, senão no espaço de largura universal. O primeiro milagre atribuído à Irmã Dulce, foi de uma sergipana de Itabaiana, “que teve hemorragia após dar à luz, e foi curada depois do padre José Almir de Menezes rogar à freira baiana”. O segundo, na Bahia, a cura de um cego, atestado como incurável, que voltou a enxergar após rogar a cura na “fé pós-material”. Uma santidade dos gêmeos Estados da Bahia e Sergipe.

Com os rituais e protocolos concluídos de sua santificação. Reconhecidos os milagres atribuídos à intercessão de Irmã Dulce, restam os ritos do Santo Padre, o Papa Francisco, um pastor de escopo espiritual superior e expressivo vulto humanitário e pastoral, proclamar em sessão solene de canonizações, simples como a Santa e o Papa, a “Santa Irmã Dulce”. Para Irmã Dulce, antes Maria Rita, e hoje Santa Irmã Dulce, “aqueles que espalham amor, não têm tempo, nem disposição para jogar pedras”.

Manoel Moacir Costa Macêdo

 Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

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