HOLOCAUSTO BRASILEIRO (V)

Por Manoel Moacir Costa Macêdo

Redação, 13 de Julho, 2019

A corrupção e as suas perversasconsequências, definem mais um “holocausto à brasileira”. Uma chaga que maltrata, corrói, explora, sacrifica e assassina os brasileiros principalmente, os mais pobres. Uma miséria que desqualifica o Brasil no ambiente das nações civilizadas. Daorigem, como uma “colônia de exploração” repartidaem sesmarias e capitanias hereditárias pelo Reino de Portugal, o Brasil carrega a marca suja dacorrupção.

Pero Vaz de Caminha, em carta ao Rei D.Manuel I solicita, que mandasse "vir buscar da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro", para ocupar e administrar o novo território. Corrupçãoreproduzida no tempo. Apropriação do “público pelo privado”, o nepotismo “cruzado e não-cruzado”. No século XVII, o padre Antônio Vieira denunciou a corrupção através do Sermão do Bom Ladrão, onde expõe os desmandos praticados por colonos e administradores. A corrupção  desembarcou no Brasil com Pedro Álvares Cabral e aqui fincou as suas cruéis garras, e se estabeleceu definitivamente. Uma construção social sob a ética cristã, castigosinquisitórios dos deuses católicos e controles abortivos de rupturas. Filial do absolutismo da realeza portuguesa.

A corrupção prosperou no Brasil, como uma epidemia, indo além do nepotismo, para os conluios, quadrilhas e sofisticadas estratégias patrocinadas pelas influentes e dominantes estruturas sociais. Não é uma marca exclusiva e única do Brasil, mas é diferenciada pela sua impunidade. A corrupção subtrai vantagens do que é de todos, para alguns privilegiados. Ela tem feições visíveis, como o peculato, quer dizer, apropriar-se do patrimônio público, incluindo o desvio de recursos públicos para benefícios próprios, de amigos, companheiros, aliados, subalternos e familiares. Outra categoria recorrente da corrupção brasileira, é o suborno,recebimento de dinheiro, propina e privilégiospublicos como recompensa por favorecimentosprestados por pessoas privadas, no âmbito dosestamentos supeirores.

Recentemente, veio às claras, a dissimuada e consentida corrupção entre os poderes republicanose as empresas endinheradas do Brasil. Quadrilhas foram desarticuladas, mas carentes de identificaçõesdos subterrâneos criminosos. Suspeitas, recaem sobre decisões seletivas do poder judiciário. Umainfindável abragência criminosa. Nada escapa à epidêmica corrupção, protegida pela insensívelclasse média, corrompida pelo admitido “jeitinho brasileiro”, subterfúgio para violar direitos e obterprivilégios. Cerca de três pessoas são presas por diano Brasil por corrupção. Escândalos recorrentes em quinhentos anos de história, condenaramrestritivamente e pela primeira vez, representantes dos estamentos superiores, em ”confortáveis prisões domiciliares”, distantes das masmorras carcerárias dos pobres e desvalidos.

Estima-se que o custo da corrupção no Brasil, equivale a algo em torno de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), referência da riqueza de uma das dez nações mais ricas do planeta, mas desigual e corrupta. Recursos púbicos apropriados por ardisdemandas privadas, carentes nos serviços sofríveis da saúde, educação, segurança e infraestrutrapúblicas. O Brasil ocupa o 105° lugar, na classificação dos países mais corruptos do planeta. A Dinamarca é o menos corrupto, seguido pela Nova Zelândia, Finlândia, Singapura, Suécia e Suíça.Abismal separação entre nós e eles. Na América Latina, em alguns indicadores de desigualdade, superamos apenas o Haiti e a Nicarágua. A corrupção, é um golpe na esperança de brasileirosparidos numa nação cristã, dita “o coração do mundo e a pátria do evangelho”. Extorsãopatrimonial e repugnante impunidade dos algemadosno topo da escala social. Um País, cujas instituições, estão em boa parte corrompidas, não tem futuro, somente passado.

Manoel Moacir Costa Macêdo

Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra 

 

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