13 de julho: um mergulho na história de Sergipe

Por Carlos Braz

Carlos Braz, 15 de Julho, 2019 - Atualizado em 15 de Julho, 2019

13 DE JULHO: UM MERGULHO NA HISTÓRIA DE SERGIPE

 Por Carlos Braz

O sergipano não conhece a sua própria história. Essa é uma afirmação confirmada sempre que arguimos alguém, principalmente entre os mais jovens, sobre o nosso passado, os  fatos históricos e personagens  relevantes que marcaram nossa história política e social. 

Sabemos muito pouco sobre nós mesmos. Nos currículos escolares de outrora nossa história foi relegada a um plano inferior, ante a importância da história geral e história do Brasil.  Aprendíamos apenas sobre a nossa dependência política e econômica em relação à província da Bahia , nossa posterior autonomia, e a mudança da capital de São Cristovão para Aracaju.

Dessa forma, o 13 de julho é apenas o nome de um bairro de nossa capital, início da zona sul , região composta por um número significativo de prédios residenciais e comerciais , e que abriga em seu entorno os dois principais parques da capital, o Parque da Sementeira e o Parque dos Cajueiros.

13 de julho é uma data desconhecida e insignificante para grande parte dos conterrâneos,  exectuando-se aqueles que tem o fazer histórico como profissão. 

Nada relembra o Tenentismo sergipano, os bravos revoltosos que nas areias da Praia Formosa, à margem  do Rio Sergipe combateram em 1924, tropas federais enviadas pelo presidente Artur Bernardes.

Para entender melhor a importância da efeméride e seu significado histórico, faz-se necessário voltar no tempo e abordarmos o II império brasileiro, sob a regência de D. Pedro II e os primórdios da República Federativa do Brasil.

O reinado do nosso segundo imperador foi marcado pela estagnação econômica, dependência das exportações, resistência na manutenção da escravatura e à industrialização, e a eterna dependência ante o poder político dos grandes latifundiários do nordeste, os afamados coronéis, e dos fazendeiros de café e gado leiteiro da região sul sudeste.

Ainda em 1837  foi fundado o Partido Republicano Brasileiro, e desde então floresceu aos poucos os legítimos ideais liberais e positivistas. Com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1899, esperava-se uma mudança dos rumos da nação, contudo o novo regime herdou os problemas sociais e econômicos do império, o que levou o país à crises sucessivas durante as três primeiras décadas do novo regime, que redundou mais à frente no Estado Novo de Getúlio Vargas.

É nesse contexto, no âmbito das forças armadas, principalmente no exército, e com o apoio da classe média, que surge o movimento tenentista, cujo objetivo era libertar o Brasil das amarras que o prendiam ao atraso, representadas pelo governo federal e seu pacto com as elites rurais , onde as práticas politicas eram marcadas pelo voto de cabresto, fraudes eleitorais e manobras destinadas a manter as oligarquias  no comando da nação através seus representantes no congresso nacional.

Os tenentes se opunham à essa realidade , que consideravam corrupta e nociva e iam de encontro à integridade da nação e seu  desenvolvimento dentro da ótica positivista. Como não conseguiram sucesso nessa empreitada, ante o poderio do sistema estabelecido, pegaram em armas e os conflitos se espalharam por todo o país.

Em Sergipe, o Tenentismo também deixou marcas profundas no âmbito da política local e provocou acontecimentos que estão eternizados em nossa história. Comandados pelos tenentes Augusto Maynard Gomes, João Soarino de Melo e Manuel Messias de Mendonça, a revolta eclodiu  no dia 13 de julho de 1924.

As tropas insurretas invadiram o Palácio do Governo, destituíram o governador Graccho Cardoso, e permaneceram a frente de um governo revolucionário por quase um mês. Em retaliação,  o presidente Artur Bernardes enviou tropas federais à Sergipe, que derrotaram os revoltosos em combates nas ruas de Aracaju e nas areias da  Praia Formosa, á época frequentada para banhos de mar pela população de Aracaju.

Sem logística militar para manter a revolta os tenentes se renderam e foram enviados como prisioneiros para a Ilha de Trindade, onde permaneceram por três anos. Ao retornarem à Sergipe, foram recebidos com louvores pela população.

Posteriormente, o bairro foi cognominado oficialmente 13 de julho em homenagem àqueles idealistas que não hesitaram em arriscar a vida pelos seus ideais, Alguns tiveram seus nomes afixados como nome de ruas e avenidas da nossa cidade, e o nome de Praia Formosa, afixado em vistosa placa, voltou a designar  o novo cartão postal de Aracaju, por iniciativa, de grande importância histórica e cultural, do então prefeito João Alves Filho.

 

 

 

 

 

 

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