Recall do silicone: médicos pedem cautela e Anvisa suspende produtos

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica reforçou que os casos de linfoma associados a próteses são raros e fez recomendações a pacientes

Redação, 25 de Julho, 2019

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e a Anvisa reagiram nesta quinta-feira (25/07/2019) ao anúncio da empresa Allergan sobre o recall mundial das próteses de silicone texturizadas e extensores de pele fabricados com a tecnologia Biocell.

O tom da nota divulgada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica foi o de evitar pânico entre as pessoas que possuem implantes de silicone, esclarecendo que foram registrados poucos casos de câncer do linfoma anaplásico de grandes células (ALCL) no mundo – 573, de acordo com a FDA, sendo 14 deles no Brasil, de acordo com a SBCP, mas reforçando a necessidade de acompanhamento médico anual para a prevenção de problemas.

A entidade que reúne os cirurgiões plásticos pediu ainda que os profissionais médicos que diagnosticarem casos de linfoma anaplásico de grandes células comuniquem a entidade via email (presidente@cirurgiaplastica.org.br) sobre as ocorrências.

No início da noite, a Anvisa anunciou que está proibida a comercialização de três produtos da Allergan no Brasil – são dois tipos de implante e um extensor.

Por que a empresa Allergan anunciou que recolheria seus modelos de próteses e extensores texturizados do mercado?
A decisão da empresa foi uma reação à determinação da FDA, a agência de saúde norteamericana, que proibiu a comercialização de alguns modelos de implantes de silicone texturizados e extensores de tecido fabricados pela empresa.

A questão vem sendo monitorada pela FDA desde 2011, quando um tipo raro de câncer foi associado a próteses texturizadas: o câncer do linfoma anaplásico de grandes células (ALCL). De acordo com o cirurgião plástico Gustavo Souza Guimarães, da Clínica Renoir, este tipo de tumor aparece justamente na cápsula de tecido formada pelo corpo para incorporar a prótese de silicone.

Também de acordo com ele, até aqui, as informações são de que a doença é raríssima e foi detectada em apenas 0,03% das pessoas que possuem próteses de silicone no mundo. A decisão da FDA, entretanto, se baseou em um levantamento no qual foram detectados 573 casos da doença no mundo, sendo que 33 pacientes faleceram.
As próteses texturizadas da Allergan estavam associadas à maioria dos casos – das 573 pacientes, 481 tinha próteses texturizadas Allergan. Neste momento, a decisão da FDA vale apenas para a empresa que, em seguida, anunciou o recall mundial.

O que as pacientes que possuem próteses de silicone nos seios devem fazer em relação a isso?
Nesta quinta-feira (25/07/2019), a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica lançou uma nota oficial sobre o assunto. A nota afirma que não há necessidade para a retirada de próteses se as pacientes não possuem sintomas como inchaço duradouro e dor no local. A entidade afirmou que as pacientes devem seguir a rotina preventiva habitual – que inclui mamografias e ecografias periódicas. Para as paciente que sentem desconforto físico no local das próteses ou inchaço duradouro, a SBCP recomenda que procurem a assistência de médicos especialistas para que realizem exames mais profundos.

Já foram registrados casos deste tipo de câncer no Brasil? Quantos?
Sim, de acordo com o cirurgião plástico Gustavo Souza Guimarães já foram registrados 14 casos deste tipo de câncer no Brasil e, em um deles, a paciente faleceu.

Pacientes que estão fazendo implantes devem colocar as próteses texturizadas?
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Níveo Steffen, afirmou que não há motivos para que as próteses texturizadas não sejam mais utilizadas. De acordo com ele, 90% das cirurgias de reconstrução de mama usam produtos texturizados.

 

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