SÉRGIO Moro, o 'Professor' de 'La Justiça del Papel'

Por Gilberto Vieira

Redação, 30 de Julho, 2019

Começar a analisar, tecnicamente, as condutas do onipotente Sérgio Moro, inicia-se com a mesma batida de tecla. Não se trata de um posição político-partidária, não se trata de protesto Lula-Livre, de ataque ao Governo ou de ser a favor da corrupção.

A discussão aqui é unicamente sobre a figura emblemática de uma pessoa, cujos traçados de personalidade a cada dia assustam mais os operadores do Direito.

Controla emoções, fala pouco, age absurdamente pensado e joga perfeitamente com o medo e as emoções dos adversários, manobra a imprensa e o povo.

É brilhante, mas terrível!

A semelhança não está somente no primeiro nome, Moro e o Personagem da famosa série do Netflix tem muito mais em comum.

Enquanto juiz, Moro evitava entrevistas, não que estivesse cumprindo a lei que proíbe juiz de falar sobre casos, na verdade, seguia à risca o ensinamento de Leonardo, o Florentino, “a distância enobrece”, criou um culto sobre si mesmo.

De outro Florentino, executou as lições de política e poder da forma mais que perfeita, um discípulo extraordinário de Maquiavel.

Trouxe a “horda” para junto de si, turbinou mal-feitos escandalosos a ponto de criar inimigos públicos indefensáveis.

Na posição de juiz, aproximou-se de uma das partes, dando-lhe intimidade e, com isso, orquestrou acusações com sentenças, casando-as com primazia e, claro, perdendo alguns anéis para temperar com imparcialidade que deveria ser sua maior virtude.

Criou o ambiente perfeito para o surgimento de um Salvador da Pátria, ou seria um Salvador Dalí?

Legiões de Dalís, mascarados ou não, confundem, nas ruas e redes sociais, o Salvador com a Pátria é incensam aquele em detrimento de todo o sistema judicial do País.

Moro, emparedou os Tribunais, usando a mesma técnica de todos os ditadores, misturando os acusados com os seus defensores e com os juízes vacilantes, todos no mesmo saco da corrupção, e todos inimigos públicos.

Em todo o mundo, há juízes garantistas/conservadores e juízes progressistas. No Brasil, há juízes ativistas e juízes criminosos. Há “Moros” e “Mendes”, só esses, nada mais!

Usou a vaidade dos outros para inflar sua própria personalidade, na ponta da linha era unicamente seu o poder de decisão. O MP e a PF fomentaram a imprensa, alardeando seus feitos mas, na verdade, coroavam a atuação do Moro-juiz, não podia ser diferente, é do juiz a espada que golpeia.

Nos diálogos divulgados, Moro-Professor fomenta a vaidade dos procuradores, dá sugestões e coordena atividades. Na verdade, tornou-os reféns, pois ou acatavam as sugestões ou o que falavam na imprensa podia ser desmentido no instante seguinte com uma decisão inversa. As “sugestões” eram ordens sutís e indiretas que não podiam ser descumpridas.

Moro-político foi pego no contra-pé, tal qual o Professor, na última cena, do último capítulo, da última temporada, recém lançada.

Moro-Guerrilheiro atirou com seus mísseis para ameaçar o Sistema como um todo.

Ao ligar para Ministros, Procuradores e Presidentes, e dizer que foram grampeados e que iria destruir os diálogos encontrados, o “Professor” jogou com o medo dos seus interlocutores, medo que beira o Pavor. Até porque nunca ninguém saberá se tais autoridades foram ou não hackeadas.

Travestida de delicadeza, a “chantagem” do Professor é clara: “Ministro, bom dia, Estou ligando para dizer que você foi hackeado, que eu tenho seus diálogos, CUIDADO!”

E A GUERRA, Continua......

            *Gilberto Vieira é Advogado

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