50 anos de Futebol de Mesa em Sergipe

No mês de julho, o futebol praticado nas mesas chegava em Sergipe.

Redação, 31 de Julho, 2019 - Atualizado em 31 de Julho, 2019

Julho é um mês de festa para o futebol sergipano. Há 50 anos era inaugurado o Estádio Lourival Batista, o nosso Batistão. Na mesma época, o futebol praticado nas mesas chegava por aqui.

A data oficial é 28 de julho de 1969. Um grupo de abnegados, visionários, amantes do esporte, resolveram implantar o Futebol de Mesa em Sergipe. A primeira reunião se deu na casa de Roberto Paixão. Logo após estava criada a Liga Sergipana de Futebol de Mesa. A primeira Diretoria teve o Senhor José Gomes de Almeida como Presidente. Antônio Carlos Oliveira Menezes foi o Vice-Presidente. José Marcelo Faria, Hamilton Silveira Santos, Jorge Reginaldo das Virgens Neto, Antônio César Sobral e Antônio Elizeu Menezes completavam o time que compunha a Diretoria da Liga. Registre-se que outros grandes nomes também participaram da criação do Futebol de Mesa em Sergipe, como Átila Lisa, Luiz Carlos, Inácio, Roberto Paixão, Rubens, Pinheiro, José Augusto, Roberto Café, Aerton Silva e Antônio Oliveira (Verde Brasil).

Os primeiros jogos aconteciam nas residências daqueles que tinham seus campos. Roberto Paixão fez o primeiro campo do Estado. Luiz Carlos inaugurou o seu campo no mesmo dia da inauguração do Batistão, em 09 de julho de 1969. Mais tarde o grupo já se reunia no Sindicato dos Comerciários, a primeira sede oficial. Depois vieram a utilizar o Cotinguiba e a saudosa sala no Batistão. Atualmente o esporte é praticado no Cotinguiba, numa confortável sala batizada com o nome de Átila Lisa.

As primeiras disputas aconteceram já no ano de 1969. Antônio Carlos venceu o Estadual contra Antônio César, sendo o primeiro campeão Sergipano. Mas aquele grupo queria mais. Incentivados pelos amigos Baianos, fizeram aqui o primeiro interestadual, com a presença dos vizinhos Oldemar Seixas e Ademar Dias de Carvalho. Átila Lisa, Luiz Carlos, Inácio e outros representaram Sergipe, mas sucumbiram à maior experiência dos Baianos. Oldemar Seixas ficou com o título.

O intercâmbio com os Baianos foi a oportunidade de os sergipanos aprimorarem o seu jogo. Na boa terra, nomes como Dartanhã, Jomar Moura, Oldemar Seixas, Cristóvam, Ademar Dias, Weber Seixas e outros já brilhavam nas mesas. Por aqui, Antônio Carlos venceu o primeiro estadual e a preocupação era o Campeonato Brasileiro que ocorreria em Salvador, em Janeiro de 1970. A modesta delegação sergipana seguiu para Salvador com Átila Lisa, Marcelo, Inácio, Antônio Carlos e Hamilton. José Gomes foi o chefe da delegação, inaugurando ali um papel que desempenhou com maestria, o de grande líder e incentivador do esporte. E nossos atletas brilharam. Átila venceu a grande final contra Marcelo, sagrando-se o primeiro campeão brasileiro de Futebol de Mesa. Logo depois, mostrando a força do Futmesa sergipano, Átila venceu também o Nordestão daquele ano, sediado aqui em Aracaju.

O Futebol de Mesa crescia e recebia mais adeptos. Ao grupo inicial se juntaram Carlos Alberto, Jaime, Ernani, Leolino, Ayres Brito, Chico, Ismael, Monark, Missano e muitos outros. Na década de 80 veio a nova geração. Átila lançou 3 filhos às mesas. Alan, Alexis e Flávinho herdaram o talento do pai. Junto com os “Lisa”, Renato, Osvaldo, Edilberto, Naldo, Dudu, Ênio, Anselmo, Cristian, Anderson e outros mantinham o esporte em evidência, conquistando torneios em série. Aral, Alagipe, Serba, Torneio da Laranja e alguns “Nordestões” vieram para as prateleiras de troféu dos nossos atletas. José Gomes liderava o grupo e não permitia que Sergipe deixasse de participar das competições. Repetindo o seu mantra “Onde houver Futebol de Mesa, Sergipe estará presente”, Gomes levava os “moleques” pelo Brasil afora.

O Nordestão ficou marcado como a grande competição dos sergipanos. Nossos botonistas fizeram 11 finais seguidas, de 1983 a 1993, alcançando uma sequência de 8 títulos, 1984 a 1991. No Brasileiro, Sergipe voltou às conquistas na Cidade de Vitória, em 1979. E o título veio numa final caseira. Inácio venceu Átila e conquistou seu primeiro título nacional. Netinho em 2002 e Flávio Lisa em 2013 conquistaram mais 2 títulos brasileiros. Com a criação da Copa do Brasil, Brasileiro de Clubes e a divisão das competições em categorias, por idade, vieram vários outros títulos, como os de Alexis, Zezeca e Anselmo no Sênior, Raimundo, Eró e João no Master, Magno e Netinho no Especial, João Paulo no Júnior e Clube dos Amigos no Brasileiro de Clubes.

Recentemente, Sergipe voltou a sediar as grandes competições nacionais: Brasileiro individual e de Clubes em 2014, Nordestão em 2016, Copa do Brasil e Brasileiro de Clubes de 2018. Logo, outras virão.

Outro destaque por estas bandas são os fabricantes de botão. Discípulos do Mestre Verde-Brasil, nosso primeiro artesão, Anselmo, Eró e Valdson mantém viva a tradição e fabricam times para todo o Brasil, sendo referências na arte de fazer botões.

O esporte permanece vivo e ganha força com a interiorização e criação de novos clubes. Em Aracaju, pratica-se o Futmesa em 3 agremiações: Cotinguiba, Clube dos Amigos e União. Os 3 dividem a mesma sala no Cotinguiba, em diferentes dias. Mas a bolinha rola de domingo a domingo. No interior, Estância ressurgiu forte com a turma da AFEC. Capitaneada por Jonatas Sandes, a cidade que já sediou um Nordestão, voltou a jogar e conta com mais de 25 botonistas no seu campeonato. Em Propriá, o gaúcho Alan comanda as ações no Mesa Verde. Destaque para a bela sede, em parceria com a AABB, e para as recentes contratações que reforçaram a equipe. Capela também está se estruturando para disputar as competições da modalidade.

E assim comemoramos o jubileu de ouro deste prazeroso esporte. O Futebol sergipano está em festa, seja no Batistão ou nas mesas do Cotinguiba, o importante é celebrar os grandes feitos do esporte. Viva o Futebol de Mesa!

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