Cemitérios superlotados causam transtornos à população de São Domingos

Coveiro revela que mortos estão sendo amontoados um em cima do outro. Denúncia anônima diz que restos mortais estão sendo jogados no lixão da cidade

Redação, 12 de Agosto, 2019

Além da dor da perda, familiares do município de São Domingos/SE, têm que lidar com a falta de espaço e de respeito para enterrar seus entes queridos. Com pouco mais de 10 mil habitantes, de acordo com o último censo, a cidade vem passando por um problema social e até de saúde pública. A população cresceu e os dois únicos cemitérios municipais há anos que não passam por uma reforma, e as pessoas têm ficado à mercê da boa vontade de amigos para poder sepultar os mortos em covas emprestadas. Mas, atualmente, nem com essa ajuda a comunidade vem podendo contar.  

O próprio coveiro dos dois cemitérios públicos da cidade denuncia que os ossos enterrados estão sendo retirados dos túmulos sem autorização. “Quando chega na época de tirar os ossos, eu abro a cova, retiro o caixão, boto para dentro de novo só os ossos, e coloco o novo caixão dentro da cova. A cova é funda, são sete palmos e eu cavo sozinho. No mesmo lugar que eu tiro um, eu boto outro, e as carneiras também estão todas lotadas”, conta Gilvan de Afonso, que garante ser o único coveiro do município.

O coveiro ainda relata que com a epidemia da dengue, o número de mortos aumentou e ele se viu em situação desesperadora. “Já enterrei sozinho 30 corpos em três semanas. A Chikungunya matou muito velhinho aqui. Foi botando um em cima do outro mesmo. Quando eu vou abrir uma cova, analiso onde vou meter a picareta, e aqui não tem nenhum canto pra não ser um em cima do outro. Quando morre alguém e a família procura, eu tenho que dar meus pulos, cavando em cima, por exemplo. E isso acontece nos dois cemitérios, que já estão cheios e eu venho avisando direto ao prefeito”, lamenta.

Além de toda a problemática com a falta de espaço, Gilvan também revela que o trabalho que ele faz é pesado para um coveiro só. “Eu já falei que preciso de uma pessoa pra me ajudar. É suado, cavar cova não é fácil. Eu já trabalhei até de noite, três covas numa noite, só uma que foi na gaveta, o resto foi tudo buraco um em cima do outro. Meu pai trabalhou 40 anos e eu já tenho mais de 20 cuidando sozinho dos dois cemitérios. Não posso sair pra lugar nenhum, nem aqui vizinho em Campo do Brito, porque isso não tem hora, e como só sou eu para tudo, fico preso. Esses dias tive que enterrar uma pessoa à noite, às 22h, porque não podia mais ficar no hospital e o juiz deu a ordem. O detalhe é que isso foi feito com uma lanterna. O poste que tinha aqui caiu e ninguém botou mais nada, se não for lanterna, é no candeeiro”.

Por: Jornal da Cidade 

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