Giro Sergipe: uma nova perspectiva no âmbito da educação patrimonial

Por Carlos Braz

Carlos Braz, 17 de Agosto, 2019 - Atualizado em 17 de Agosto, 2019

GIRO SERGIPE: UMA NOVA PROPOSTA NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL.

                                                                                                           Por Carlos Braz 

A grande novidade no âmbito da educação patrimonial, divulgação e valorização da cultura sergipana é o programa Giro Sergipe, que vai ao ar pela TV Sergipe, desde o dia 27 de julho, as 14:00hs do sábado, apresentado pela desconhecida no meio jornalístico Anne Samara, que, nas palavras dela mesma é “uma jovem em busca de desvendar, de descobrir o que me faz ser sergipana, o que nos faz ser sergipanos. Essa é uma busca constante porque a nossa terra é incrível, o nosso estado é riquíssimo em cultura e as pessoas desse estado são maravilhosas, elas são batalhadoras, elas são guerreiras”.

De forma leve, com uma linguagem visual moderna, que atrai os mais jovens, bem como com uma produção a meu ver impecável, a atração tem tudo para se consolidar como um divisor de aguas no âmbito da educação patrimonial em nosso estado, com o bônus de ser transmitido pela emissora de maior audiência no Estado de Sergipe..

Como sempre afirmei em outras postagens, o sergipano comum não conhece sua própria história nem cultiva dentro de si um robusto sentimento de pertencimento em relação à terra em que nasceu. Tampouco valoriza suas tradições ancestrais, engolidas aos poucos pelo rolo compressor da globalização e indústria cultural.

Isso se dá, a meu ver, devido a fragilidade ou ausência de políticas públicas efetivamente voltadas para construção e manutenção de espaços de memória, que possibilitem aflorar a sergipanidade nos nossos corações e mentes, bem como à falta de disciplinas nos currículos escolares que abordem a nossa gente e nossas tradições mais caras.

A falta de ações  que estimulem a parceria do estado com os proprietários de bens culturais é um fator preponderante, já que muitas são as construções que remontam ao tempo do Brasil colônia, casas-grandes e engenhos, que poderiam muito bem ser utilizados como espaços temáticos abertos à visitação, que gerariam renda para seus proprietários e cultura para os visitantes.

Essas práticas já são usadas com sucesso há anos pelos europeus como também em algumas regiões do Brasil, configurando-se, ao lado dos eco-museus e museus comunitários, como um atrativo a mais para os que procuram o saber.

Oxalá o Gira Sergipe consiga fazer com que se olhe com um novo olhar as perspectivas do uso do patrimônio como propulsor cultural e econômico, uma fonte primária de conhecimentos e enriquecimento individual e coletivo. O conhecimento e apropriação pelas comunidades do seu patrimônio são fatores fundamentais no processo de preservação sustentável desses bens, assim como no processo de fortalecimento de identidades e cidadania.

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