Quase 1.900 mulheres prestaram queixa de ameaça este ano em Sergipe

Redação, 28 de Agosto, 2019

Os números da violência contra a mulher continuam em escala ascendente e preocupante. Para se ter ideia da situação, em Sergipe, apenas este ano, quase 1.900 mulheres (1.883) prestaram queixa de ameaça no âmbito familiar.

E quando se fala em agressão física, 1.110 mulheres prestaram Boletim de Ocorrência (BO), no Estado, sob a alegação de lesão corporal, amparadas pela Lei 11.340/2006, a popular Lei Maria da Penha. Na ponta desses números estão as vítimas de feminicídio. Este ano, já são nove mulheres mortas.

Fazendo uma análise das estatísticas no Brasil, entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Um dado avassalador, principalmente quando se tem em mente que é no seio da família que a pessoa se sente mais segura.

Esses números fazem parte de um levantamento do Instituto Datafolha, feito em fevereiro de 2019, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) para avaliar o impacto da violência contra as mulheres no Brasil.

Voltando aos dados sergipanos fornecidos pela Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEACrim), da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP/SE), é possível verificar um aumento considerável no número de ocorrências de ameaça quando se comparam os registros deste ano com os de 2018.

Durante todo o ano passado, o Estado contabilizou 1098 registros dessa natureza. Isso, levando em conta as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher dos municípios de Aracaju, Itabaiana, Lagarto e Estância.

Se até agora já são 1.883 denúncias de ameaça, cerca de 72% a mais do que foi computado em todo o ano de 2018, imagine quando fechar os números no último dia do ano de 2019.

De acordo com a delegada do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), Meire Mansuet, esse aumento tem uma explicação clara.

“O número de registros de boletim de ocorrência noticiando violência contra a mulher aumentou de forma considerável em virtude do funcionamento do plantão do DAGV, à noite, final de semana e feriados, onde o atendimento da mulher vítima é feito de forma diferenciada”, explica a delegada.

Os números de lesão corporal também caminham no mesmo sentido. Até o fim de 2019, devem superar, e muito, as 795 ocorrências de 2018. Até o momento já são 1.110 mulheres vítimas, ou seja, um aumento de cerca de 40%, que deve crescer ainda mais até o último dia do ano.

A delegada do DAGV alerta para a necessidade de denunciar ao menor sinal de violência. “Qualquer pessoa pode e deve denunciar a ocorrência de violência doméstica. Familiares, vizinhos ou conhecidos devem ter empatia com a vítima e serem solidários nesses momentos tão difíceis para uma mulher”, finaliza Meire Mansuet. Fonte: Jornal da Cidade

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