ECOLOGIA: O BRASIL NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA

Por Carlos Braz

Carlos Braz, 31 de Agosto, 2019 - Atualizado em 31 de Agosto, 2019

ECOLOGIA: O BRASIL NA CONTRA MÃO DA HISTÓRIA. 

Por Carlos Braz 

“A consciência ecológica levanta-nos um problema duma profundidade e duma vastidão extraordinárias. Temos de defrontar ao mesmo tempo o problema da vida no planeta Terra, o problema da sociedade moderna e o problema do destino do homem. Isto obriga-nos a repor em questão a própria orientação da civilização ocidental. Na aurora do terceiro milênio, é preciso compreender que revolucionar, desenvolver, inventar, sobreviver, viver, morrer, anda tudo inseparavelmente ligado” (Edgar Morin).

No longínquo ano de 1866, o biólogo alemão Ernest Haeckel, em sua obra Morfologia Geral dos Organismos, traçou o perfil de uma modesta disciplina científica, que batizou de ecologia, inspirado na palavra grega oikos, casa em português. Assim sendo, ecologia é a ciência da casa.

Passaram-se os séculos, e na contemporaneidade, qualquer pessoa que acompanhe o debate atual sobre os temas ditos ecológicos nos meios de comunicação poderá verificar a grande distância que separa a modesta proposta de Haeckel e a ampla gama de ideias, projetos e visão de mundo que reivindica hoje em dia o uso da palavra ecologia.

No continente europeu as preocupações o com o meio ambiente evoluíram ao ponto de tornarem-se política de estado, e as organizações não governamentais, subsidiadas por instituições públicas ou privadas surgiram como vanguarda na luta em favor do equilíbrio ecológico no mundo. A Green Peace é a mais conhecida delas, ante sua atuação radical, às vezes cinematográfica, em defesa de suas pautas.   

Qualquer pessoa que acompanhe o debate atual sobre os temas ditos ecológicos nos meios de comunicação poderá verificar a grande distância que separa a modesta proposta de Haeckel e a ampla gama de ideias, projetos e visão de mundo que reivindica hoje em dia o uso da palavra ecologia.

Em se tratando de questões ambientais o Brasil sempre trafegou na contramão da história. É em nosso território que está localizada a maior parte da floresta amazônica, mega bioma tropical que sempre esteve sob os olhos da comunidade científica internacional, por ser, há décadas, palco constante de variados crimes ambientais e sociais, entre os quais, garimpos clandestinos, desmatamento descontrolado, queimadas, grilagem de terras e outras ocorrências com o mesmo teor igualmente negativas, ante a conivência das autoridades competentes.

O recente clamor de cientistas e ativistas nacionais e internacionais se justifica ante a incidência cada vez maior de ações que  cada vez mais comprometem a sobrevivência da floresta. A investida do agronegócio na região é inegável, bem como a posição claramente equivocada e inconsequente do presidente da República, Jair Bolsonaro, que nega o inegável, acusa sem provas e desqualifica os dados estatísticos produzidos por órgãos governamentais e agencias internacionais reconhecidamente competentes.

No campo das questões sociais, a problemática amazônica interfere também em uma questão real, mas que passa desapercebida para a maioria das pessoas: a situação dos povos indígenas que vivem em reservas demarcadas oficialmente, possuidoras de riquezas minerais de grande importância na indústria tecnológica.

No olho do furacão, o Brasil corre o risco iminente de ter seus produtos provenientes do agronegócio boicotados pela União Europeia, o que certamente causará um prejuízo incalculável à frágil economia brasileira, dependente historicamente do comércio internacional.

A Amazônia ainda é uma caixa de Pandora repleta de valiosos tesouros a serem descobertos, e sem dúvida é alvo de cobiça dos grandes conglomerados internacionais. Diante dos fatos, torna-se cada vez mais claro que a crise que vivemos nos dias de hoje é uma crise única, diferente de todas, ante o engajamento efetivo de organismos mundiais e da própria sociedade brasileira.

A solução para o dilema atual não poderá ser encontrada através de declarações estapafúrdias e debochadas de um Chefe de Estado que se comporta mais como um fanfarrão em mesa de bar e menos como um estadista antenado com os graves problemas sociais, econômicos e ecológicos de uma grande nação.

Nessa hora, é preciso sabedoria, responsabilidade, espírito público e discernimento, para alcançarmos o desenvolvimento pleno, e levar nossa pátria ao panteão das grandes nações do mundo.  No momento, estamos bem longe desse patamar.

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