NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO

Por: Manoel Moacir Costa Macêdo

Redação, 06 de Setembro, 2019 - Atualizado em 07 de Setembro, 2019

“Maria, a Mãe de Jesus”, gênero da veneranda ‘Nossa Senhora’. Devotada com fervor pelos católicos. Esquecida durante anos pelos primeiros cristãos e pouco lembrada pelos evangelistas. Para o pacifista Chico Xavier, “a sublimada Maria têm sido muitas vezes objeto de insinuações injustas”. O nome ‘Maria’ vem do hebraico “Myrian”, que tem duas significações: “sublime e escolhida por Deus”. No português, ‘Maria’ tem suavidade e melodia. Está presente nos sentimentos e dores das mulheresbrancas, negras, amarelas, pobres, ricas, remediadas, brasileiras, nordestinas, rio-realenses,amadas, violentadas, separadas, divorciadas e assassinadas.

‘Maria’ nasceu pelas graças dos pais ‘Eli e Ana’, numa operação divina que mobilizou a Palestina, face à grandeza de sua reencarnação. Uma predição da espiritualidade, no planejado reencarneda mãe do ‘Governador Espiritual da Terra’. ‘Maria’preparou a vinda de ‘Jesus’, o ‘guardião dos terráqueos’. Marco da humanidade, ‘antes e após ele’. Festeja-se o nascimento e o calvário do filho de ‘Maria’, mas silencia na grandiosidade de sua mãe.Ela é parte e não coadjuvante desse mistério. Ela é intercessora entre nós e o seu filho. A sua santidadese revela desde o tempo maternal ao responder à pergunta do filho ainda criança: “mãe que queres tu de mim?”. Respondeu: “cuidar de te, meu filho”. Não existiria o filho sem a mãe. 

Para os ‘cristãos-espíritas’, ‘Maria’ é um espírito puro que foi dado à humanidade conhecer. Espírito de primeira ordem na ‘Escala de Allan Kardec’. Não sofre influência da matéria e vive a eterna felicidade. Livre de provas e expiações. A sua missão ultrapassou o útero materno, para dar vida ao Ser supremo e singular. Ela foi a criatura escolhida para edificar o reino divino. Não foi por acaso a sua divina maternidade, tal qual as nossas mães, como a minha mãe - uma ‘Maria de Itabaianinha’. As virtudes do coração e ternura “marianas”, ultrapassam a “Maria do Livramento” para outras “Marias”. “Vestida de sol”, cândida és tu entre as mulheres, acolhedora de sofreres e aflições.

 

A adoração a ‘Nossa Senhora do Livramento’, carrega duas razões. A primeira de natureza teológica, pelo poder intercessor de ‘Maria’, junto ao seu filho. A segunda é histórica, está relacionada ao atentado em setembro de 1758, sofrido pelo ‘El Rei de Portugal D. José I’. Nesse lugar foi construída uma ermida dedicada a ‘Nossa Senhora do Livramento’ no alto da Ajuda, arredores de Lisboa. A partir de então, cresceu a devoção a ‘Santa do Livramento’, sobretudo em ocasiões de perigo. Expressões de fé, proteção e fraternidade. ‘Maria’,humildade sideral no “Cristo cósmico”. .

 

Como em Portugal, no Brasil, existem muitos templos em louvor a ‘Maria’, a exemplo da ‘Igreja de Nossa Senhora do Livramento em Rio Real’, uma divisa gêmea entre a Bahia e Sergipe. Imponente e angelical, abriga um majestoso altar e uma sublime imagem. Beija as nuvens e abençoa do alto o rebanho católico. Celebrada com emoção e fé, em 08 de setembro, como a ‘Padroeira de Rio Real’, a data do aniversário de ‘Maria’. A mais popular e desejada festividade do lugar. A missa solene pela manhã, antecede a procissão vespertina, celebradas pelo alto clero, paramentados a rigor e seguidos por beatos e beatas, acomodados em obediência celestial. No passado dos ‘frades capuchinhos europeus’ os louvores à “Padroeira”, eram hierárquicos e na proporção dos “teres e poderesprofanos”.

Novenas, alvoradas, quermesses, leilões, foguetórios, missas, cânticos e louvores, misturam o sagrado com o profano. Ela mobiliza a gente humilde e orgulhosa, rica e pobre, simples e culta,egoísta e solidária, hipócrita e sincera, unidos numa dialética ‘fé mariana’. Nesse ano, comemorar-se-ão os ‘164 anos de criação da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento’. Tradição católica doprimeiro ‘Brejo Grande’, ao segundo ‘Barracão’, até o terceiro e atual ‘Rio Real’. Quase dois séculos de história e religiosidade. Expressões seculares deamor e proteção, diante da qual não existem obstáculos no mistério da fé dos católicos rio-realenses.

Manoel Moacir Costa Macêdo, rio-realense e ex-coroinha da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento

O que você está buscando?