DIA DE FINADOS - A MORTE NÃO É O FIM

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Peixoto, 30 de Otubro, 2019 - Atualizado em 30 de Otubro, 2019

 a morte não é o fim         DIA DE FINADOS: A MORTE NÃO É O FIM

A Natureza, sabiamente, definiu que os seres nascem, crescem, reproduzem-se, envelhecem e morrem. Humanamente falando, parece a morte ser a “angústia de quem vive”, por senti-la avizinhar-se inexoravelmente. Nada se pode fazer. Até os mais abastados têm o doloroso penar de suportá-la, ainda que a retardem por alguns instantes. Seria uma espécie de ser para a morte, como pretendera o existencialista Martin Heidegger.

Implacável, a morte soa justa, honesta e ordeira, pois atinge a todos, independentemente de classe, de raça, de cultura. Ela nivela a todos, e isso é fantástico! Pois, os seres humanos passam a maior parte da vida, se toda ela, tentando apresentar as diferenças entre si. Disputam sobre a fama, o poder, o prestígio, a ganância... Sempre à espreita de levar vantagens. O outro passa a ser detalhe ou objeto de ódio, de disputa, de guerra... torna-se vítima de um agir insano! Aquilo que se torna projeto contínuo interrompe-se com o termo imposto pela natureza. Com a morte, ninguém predomina sobre alguém. Os verbos passam a ser conjugados no pretérito... Era, teve, foi, gostava, tinha...

Sob a ótica cristã, a morte é páscoa, passagem para um estágio de vida plena, superior, cujo ápice é a contemplação da face divina. Ganha significação nova e autêntica pois, ao se desfazerem as pretensões meramente humanas, surge a esperança imorredoura que vence a própria morte. Se esta parece implacável, enquanto integrante da natureza, aos olhos da fé, é meramente um meio para se atingir um fim ardentemente desejado.

Ninguém vive para a morte, com todo o respeito a quem pensa em contrário. Todos vivem e se dirigem cada vez mais à plenitude do existir, com os sonhos, com os planos, com as metas. Pena que ainda as pessoas não se habituaram a traçar a meta maior, como lembra o Apóstolo dos Gentios: a coroa imperecível da Graça, a qual nenhum atleta conquista por si, mas somente por condescendência divina.

Quando o objetivo maior for o Reino de Deus, a salvação de todos, a morte não será temida, pois ela será considerada a porta de entrada na eternidade feliz. Não que seja errado traçar metas, mudar o comportamento, para conquistar melhorias de vida. Isso é extremamente louvável. Entretanto, há um limite. E, em referência a este, devem os humanos, desde muito cedo, planejar o itinerário para Deus.

Embora imersos na saudade de quem partiu, ou afligidos por uma dor maior, convém celebrar o dia de finados, com um olhar de Esperança sobre a Vida, com a certeza de sermos cidadãos e cidadãs do alto, onde está Cristo, sentado à direita do Pai, isto é, em espírito terno e carinhoso de quem, em família, vive a festa da plenitude da vida.

Que a alegria da ressurreição ajude a todos a superar a dor da perda, encarando o túmulo como lugar simbólico, de memória, de respeito à dignidade de quem já partiu. Ali, não se encontra ninguém. Os que partiram estão em Deus. Cristo venceu a morte e renovou a vida!

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