Novo tratamento contra câncer de ovário aumenta expectativa de vida de pacientes

Mulheres poderão ter sobrevida de até um ano

Redação, 18 de Dezembro, 2019 - Atualizado em 18 de Dezembro, 2019


Uma mudança de estratégia no tratamento do câncer de ovário, um dos mais agressivos que existem, conseguiu aumentar a sobrevida das pacientes. Três ensaios clínicos diferentes indicaram que uma nova classe de drogas, os inibidores de PARP, pode dar alguns meses a mais de vida para os pacientes quando administrada cedo, ainda que a cura seja uma meta distante.

O aumento de sobrevida foi pequeno em termos absolutos, da escala de um ano para dois anos, no caso de pacientes com estágio similar de avanço da doença. No entanto, por representar cerca do dobro da taxa normal de sobrevida, a novidade ganhou a capa da revista médica "New England Journal of Medicine", que publicou três estudos sobre a ação dos inibidores de PARP, o último deles nesta quarta-feira (18).

Houve aumento de sobrevida de 21 para 37 meses no caso de pacientes que eram portadoras de mutações de DNA no gene BRCA — o mesmo que aumenta o risco de câncer de mama quando está mutado. Pacientes com resultado positivo para um outro teste genético, chamado HRD, tiveram sobrevida ampliada em média de 17 para 37 meses.

Um terceiro grupo, porém, que não caia em nenhum desses dois perfis genéticos, teve benefício pequeno, uma ampliação de menos de um mês de sobrevida. Eles formam cerca de metade dos pacientes.

Ao serem capazes de prever quais são as pacientes que vão se beneficiar de uma intervenção precoce com os novos medicamentos, porém, os médicos conseguem planejar melhor o tratamento para cada uma delas.

Medicina personalizada
Em editorial no "New England Journal of Medicine", o cientista Dan Longo, da Escola Médica de Harvard, qualificou os trabalhos como um avanço na "medicina personalizada" para o tratamento da doença.

Os outros dois ensaios clínicos citados no periódico, além do francês, foram liderados pelo M.D. Anderson Cancer Center, do Texas (EUA) e pela Universidade de Navarra (Espanha).

— Foram apresentados nos ensaios clínicos três produtos de empresas diferentes, e os resultados são muito consistentes entre si — afirma Maria del Pilar Estevez Diz, diretora de corpo clínico do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo).

Segundo a pesquisadora, o advento dos inibidores de PARP foi importante no histórico de pesquisa da doença, porque o câncer de ovário geralmente é diagnosticado só em estágio avançado, e as opções de tratamento são poucas.

Informações Globo

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